Versos livres — IV: César e Cleópatra

Uma estátua primeiro eu vi,
Divinizada em ouro e rubi,
No estuário do grande rio
Reluzindo fogo nas águas,
Suando sol em suas lágrimas.
A cidade, teu baluarte, passei;
Sobre o cavalo do lácio montei
E nas ruas cheirando a jasmim,
Sob o incenso e o perfume dalém,
Fui arriar diante do portal teu,
Morada da neta-ninfa de Ptolomeu.
Corredores de pintura rajados,
Frescos pelo granito sepulcral,
Prenúncio de dor no bem e no mal.
Uma estátua de carne eu vi,
Humana da cor do leite acanelado,
No trono de carvalho ancião,
Entre as sombras do palácio janelado.
Braseiro de estrelas, teus olhos,
Corpóreos assomos de espírito
Atribulado por desespero e paixão.
O protocolo por dois poderosos seguido,
Teatral arranjo de acordo e coação.
Despedi-me com aceno de elmo posto,
Conquistando terras e talvez teu rosto.
Crepitava a chama e o sono já me vinha
Quando a ama me chamou à tua cama.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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