Tricórnio

I.
Não só o céu, criança, está nublado.
Está assim também minha esperança.
Não só as estrelas estão apagadas.
Estão escuras e frias aquelas ilusões,
Aquelas linhas coloridas no tecido cinza,
Aqueles bordados de ânimo na realidade.

II.
Oh, tu, rasa opinião:
Que mísera fauna te deu razão?
Animal sempre é quem zurra
Com fala de humana turba!

III.
Tudo é um profundo fluir.
Um leite azul,
Um lírio transparente.
Oh, vem doce e quieta descer do além para cá, minha luz.
Vem quietinha espreitando entre as estrelas minha sombra.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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