Terciário I

As talhas de pedra sentiram alguma eletricidade ou força transcendental aguçando seus cristalos celulares? Ressuscitaram, de repente, como quando do primeiro instante de existência sob o “Fiat!”, os minerais que o homem tornara vasos d’água? Continuou fria e inerme a pedra quando a água (sobre a qual o Espírito veio pairar para fermentar) fez-se vinho para nobre gosto.

Quando eu disse a Helena que a amava, não queria realmente dizer-lhe outra frase, melhor ou pior composta. Literariamente que se lasque a sentença, o estilo, o refino ou o desleixo da semântica. Não caberia qualquer outro dito, senão o tradicionalíssimo clichê que acompanha a boca de todo homem apaixonado desde o Éden: “Eu te amo.” Basta este simples — mas muito denso — arranjo frasal para por a alma de um homem no centro do coração de uma mulher.

Um cacho de uvas, pendente da cruz, que assentada sobre um ramo de trigo… Fazem do sangue e da carne símbolo para nosso estômago e comida para nossa mente. Goteja farinha do lenho e o vinho enrijece o monte.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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