Templo do Senhor

Não sei contar séculos,
Nem segundos,
Nem medir o tempo entre o 8 e o 80.
Sei que cem anos passam
E neles homens nascem e morrem.
Sei que um segundo passa
E neles homens nascem e morrem.
Sei que o tempo é um elixir de luz,
Coagulação da Eternidade para ser bebida no cálice do corpo.
Não sei como os anjos cronometram suas partidas de futebol,
Nem como os arcanjos medem as partitas de Bach que ouvem.
Sei que 44 ou 36 parecem ser mais equilibrados
E que a harmonia é preferível aos pólos do excesso.
No meio do caminho pode haver, sempre haverá, pedras.
Rocha ou rochas, pedrisco ou pedriscos.
Prefiro machucar os pés andando no horizontal
Que carregar montanhas etéreas para o vertical.
O que está Acima não é além-atmosfera,
Não baila entre os astros mirados pelo telecóspio.
O que está Abaixo tampouco se enraíza no poço fundo de ferro e magma da terra, discernida por microscópios atômicos.
Nossos olhos de carne natural,
Córneas filtradas por neurônios,
Estes sim profundos,
Potências da matéria, veem mais que o aparente
(Latente, imanente),
O aparente que não precisa ser vencido para que se toque o Oculto.
O Espiritual é invisível,
Não distante como aquela galáxia redshift incrustrada na Ursa Maior.
Entre o pórtico e o altar descansa a portinhola crateral para o Transcendente.
O Reino de Deus está em mim.
Não sou uma pedra de um templo…
Sou, eu mesmo, o templo.
O templo do tempo sem fim,
Templo que cresce para dentro,
Que jorra, da fonte de um peito mortal,
Águas maiores que as do Dilúvio antigo.
Não sei muita coisa.
E o que sei é menos que pouca, tão pouca coisa. Um nada.
Mas sei — eu sei! — que mesmo não sabendo,
E assim sábio não sendo,
Eu sei que já estou no mundo sem tempo.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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