Soneto VII

Se a brisa descer em tempo de inverno
Ou maresia de repente vier do deserto,
Escuta a cantiga que o amor expressa,
Porquê fora de estação surge a paixão.

Se uma pétala de rosa fresca cair morta
E for primavera colorindo a vida à porta,
Silencia diante duma provável traição,
Porquê na estação mais fecunda a ilusão.

Se o Senhor, porém, dois quiser no altar,
Se unir Ele desejar para sempre um casal,
A Calenda se desfará na chama eternal.

Se o Senhor deitar sobre estes dois dedos
O leve fardo e o suave jugo duma aliança,
Um a um o tempo desfará os idos medos.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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