Quo vadis, Domine?

Aonde vais, Senhor?

Vou à Síria, para ser degolado pelo Isis.

Vou à China, para ser enforcado pelos comunistas.

Vou à Venezuela, para ser preso pelos chavistas.

Vou ao Canadá, para ser processado pelos progressistas.

Vou à cada quinhão de chão,

A todo canto onde houver pranto,

Pela fé, pelo espinho em mim cravado.

Deixa-me ir contigo, Senhor…

Bem sei que do Apocalipse ao Gênesis,

Do fim ao começo,

Está profetizado que o cristão será peregrino,

Que até na casa do irmão terá seu assassino,

Que no mercado lhe faltará o pão

E que o jejum será seu canto

Entre o parêntesis

Da Conversão

E a final Redenção.

Aonde vais, Senhor?

Deixa-me sair das fogueiras,

Dos circos máximos e dos autos,

Das pedradas e dos açoites,

Das câmaras de gás,

Da guilhotina

E da forca.

Tu vais à Roma para ser crucificado novamente?

Deixa-me ir e morrer para viver eternamente,

Deixa-me compartilhar da Cruz,

Da Lança e do Espinho!

Deixa-me morrer entre os ladrões,

Deixa-me acordar no Paraíso!

Deixa-me pela Fé em Ti padecer,

Deixa-me pela Liberdade morrer,

Deixa-me, mas nunca sozinho.

Deixa-me, mas não em solidão.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *