Poema para 2021

Que farei desse tempo,
Sorvido dum cálice líquido de vento?
Não sei como escoa e flui…
Sei que ao homem coa e refina,
Que na psiquê e na ventura influi.
Ação reagindo à reação,
Vácuo enchendo a alma,
Sendo causa da própria causa,
Efeito té do mais puro defeito,
Lírio desabrochando pela raiz.
Vou devorar com paciência teu calendário,
Caçar e degustar toda planilha, nota e horário.
Olha tu, oh tempo, que não dou xeques vagos!
Direto ao ponto, tomo tua vitória.
No alvo definido, é reta a linha curva da glória.
E de repente eu te laço,
Creio contra as tuas circunstâncias
E fulmino teu balanço de ponteiros.
Giro o seixo da Eternidade:
Contra tua testa de sol e de sombras,
Toma aqui meu xeque-mate!

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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