O homem, besta domada

Não há nada mais repelente a uma mulher que um homem “bonzinho”: aquele sujeito de alma flácida, sabor de geléia de chuchu, bunda-molíssimo, misto de zé-mané com zé-ruela: um eunuco espiritual cuja aparente moderação é na verdade fruto de falta de libido e tesão pela Vida.

A virtude está na força conscientemente adestrada. Em bom português, é forte não quem é fraco e por isso (por ser passivo) não luta; mas quem é forte e por não querer (por ser ativo) não fere ao fazer as contas de causas e efeitos. E é essa energia canalizada, esse poder sob controle, que constrói a civilização e faz do homem pastor, protetor e provedor.

A testosterona orientada pelo estrogênio é o dínamo da sociedade: o masculino produz quando o feminino o induz. O homem domado é o Neanderthal com porrete e grunhidos que se encontrou com um anjo e decidiu lhe servir com ferramentas e poesia, com conforto e ternura. O instinto precisa ser amansado pela razão, por uma razão igualmente instintiva: a de pensar para agradar, e cuidar, e construir um ninho, uma toca.

Bonzinhos não produzem, não fertilizam o solo do planeta e do coração feminino. É a fera sob rédeas curtas, a besta domada, o verdadeiro homem bom; e é ele quem semeia Humanidade no Ventre. A fala da mulher conduz o falo do homem. E é nessa “uma só carne” de físico e metafísico, de concreto e abstrato, que o Mundo progride — cresce e multiplica.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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