O dignitosa conscienza

Qual o sentido de quem vai e de quem vem,
De quem se parece com outro e não com este alguém?
Tantos encontros e desencontros,
Tantos redemoinhos e remorsos
Que soçobram em mares inexistentes,
Que sobram vento e água e calmaria e sopram tempestade no de repente,
Que apagam letras escritas, reescritas, nunca escritas
E anunciam em bilhetes e pergaminhos de eternos senões
Um pouco do amor que poderia ter sido e não foi,
Da paixão que foi e não poderia ter sido se outros fôssemos,
Se os mesmos fôssemos em momentos outros,
Nos mesmos lugares e talvez ao mesmo tempo.
São muitos “e se…” para uma vida só,
São vastos e rasos e até profundos e medíocres lamentos,
São muitas probabilidades e porcentagens e possibilidades
Que tanto nos exaurem, que tanto nos machucam,
Que tanto nos iludem com a certeza de incertas realidades,
A ponto de nos conformarmos apenas com isto aí como é,
Como está, com quem estamos, com quem somos…

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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