Notas do Silêncio — I

O silêncio convém apenas a espíritos que mergulharam no profundo da Linguagem. Todos os demais, superficiais na Palavra, precisam do barulho para sobreviver ao próprio vácuo de Significado.

À inteligência convém o silêncio, porque a alma é serena e fluidamente pacífica nos homens conscientes. Ouvi-la, a inteligência, requer atenção sob-espiritual. Sob-espiritual: o fluxo comunicativo entre o homem e a Imagem-e-Semelhança. Uma atenção que dispensa a ação sonora exterior.

Poucos homens prestam atenção aos seus sons corporais. Não distinguem os batimentos cardíacos e são incapazes de entendê-los como correspondentes às batidas das percussões musicais que às vezes lhes movimentam a psiquê. No máximo, ouvem a própria flatulência quando se preocupam com a possibilidade de que alguém lhes tome por broncos incivilizados. Preocupação superficial, cosmética — a-ética. O som dos movimentos dos braços, das mãos, das pernas, dos pés, dos dedos, das articulações e juntas. O som do átomo.

A burrice está para o pensamento como a feiura está para os ângulos. No pensamento, o silêncio é a vírgula da dízima periódica do infinito posto na imaginação.

Estoure todo a energia num boom de nada!

Há níveis sub-animalescos e eles correspondem à anti-espiritualidade demoníaca. Níveis sonoros. O sub-animalesco é o demoníaco, porquê na hierarquia das criaturas ela corresponde à degeneração do mais elevado. Não há animal que não seja, pois, bom. Não há perversão animal. Há, isto sim, graus de perversão humana que a nivela aos animais pelo instinto. O sub-animal, contudo, ultrapassa o instinto (que, em certo sentido, mantém estrutura boa) e desce à degeneração consciente, nivelando o homem a específicos animais — daí, a simbólica dos vícios valendo-se da fauna planetária.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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