Esponjas de sol — XLVI

1419. Um assovio mais baixo que um sussurro e mais alto que o respirar, contínuo e constante como uma águia que encontrou a corrente infinita dos ventos. Som de eternidade, como uma canção de ninar que os anjos compuseram para o bebê que não se tornará criança. Por que deixaste-me ouvi-la, Senhor?

1420. Excesso de prudência é imprudência.

1421. O fanático é um fã da ação lunática em favor da causa. O radical é alguém cuja alma está radicada na causa.

1422. Os homens que almejam ser simples e modestos: Deus os faz grandes.

1423. Chupar uma bala ao invés de escovar os dentes, borrifar perfume ao invés de tomar banho. É isto o que faz o hipócrita.

1424. Afio-me no desafio, desfazendo o fio da moira.

1425. Das entranhas da terra, o grito me estremece como o pálio pelo vento assoprado. Telúrico pensamento de ser constante e inconstante, como a rocha que o martelo esmigalha.

1426. A montanha de cume branco, cujo ventre carrega o abismo de fogo. Como age o diabo, “O Um Anel”: alfabeto élfico e língua de Mordor. O superficial do Bem e o conteúdo do mal.

1427. Nós já fomos, de certa forma, enterrados. Células nossas, pele, cabelo, já foram para o túmulo. Nos velórios, enterros e funerais dos quais tomamos parte, qualquer partícula do nosso físico (no abraço, no aperto de mão ou repouso dela no defunto, nas flores, no véu, enfim) se pegou ao morto e ao caixão do morto e com ele virou pó, o pó deitado da morte.

1428. Alguém disse que “a coroa do rei está sobre sua cabeça, não sob seu coração.” Guardo aqui.

1429. Por que eu pisaria numa formiga?

1430. Abdução é a farsa demoníaca do arrebatamento.

1431. Enquanto uns se guardam, outros aguardam. Enquanto outros se poupam, outros apalpam.

1432. Os covardes rugem miados. Os corajosos, precavidos, miam rugidos.

1433. Missionário não cria heresia. Teólogo cria. Arival dixit.

1434. A causa da natureza (efeito) é sobrenatural.

1435. Apenas a assinatura falsa é “igual” à original.

1436. O amor é pegajoso e pesado, mas vem o Pégaso alado e o enleva como pena.

1437. Até o aço, bem aquecido, desfolha sob o martelo.

1438. Os crentes andam morrendo no Domingo.

1439. A inveja e o ciúmes se encontraram e se beijaram.

1440. Grande não é quem é grande. Grande é quem obra grande.

1441. Só se idolatra aquilo que se conhece superficialmente.

1442. A sarça ardente estava acesa nos fornos crematórios dos campos de concentração.

1443. No final é sempre o fim.

1444. Se Deus é contra nós, quem será por nós?

1445. Todos e todas as coisas são frágeis. Até o machado de bronze sangra.

1446. Poder às vezes não é tão prazerosos quanto querer.

1447. Isto de dizer amor, sabes? É de corar a alma, alargar sorrisos, beijar a testa das estrelas, esperar assovios das flores, levitar com frases, lustrar silêncios, amar. 

1448. Os homens que regem a Igreja não devem governar o Estado. Os homens regidos pela Igreja devem governar o Estado.

1449. Que alma rubra, / Que alba negra, / Leva a nação / À uma guerra? / Que é a bravura / Quando pedem trégua?

1450. Adolf Hitler não gostava de pérolas. Dizem que as odiava. Isso deve lá querer dizer alguma coisa…

1451. Outro dia, tentando traduzir do hebraico um manuscrito cabalístico do século VIII, li isto: “Deus tem asas azuis, para que voe invisível no céu.” Agora à tarde, no supermercado, uma menininha de no máximo 6 anos disse pra mãe: “Deus deve pintar as asas de azul para não ser visto.” É por isto que digo: o gênio autêntico, cheio de beleza e realidade, se esconde justamente nos cérebros mais ingênuos.

1452. A inconsistência interna via de regra procura solidez nas aparências externas. A falta interior sempre tenta se compensar no excesso exterior. Daí estes fenômenos de tatuagens intermináveis, corpos excessivamente malhados músculo a músculo, apego desmedido e ostentatório à marcas e grifes, etc. Falta imaterial dentro cria presença material fora. São fenômenos do ego, da auto-estima, em termos psicológicos. Espiritualmente, é idolatria. Essa moça que tatuou o Bolsonaro e os lemas de sua campanha pelo corpo está doente: precisa de divã e altar. Orem por ela ao invés de incentivá-la ou ridicularizá-la (ambas atitudes idiotas).

1453. A verdade não é mera descrição formal da realidade. Ela é sua própria força de manutenção. De modo que a mentira, então, não é uma simples oposição abstrata à tal descrição: ela é um enfrentamento energético, adverso e dialético à toda a estrutura do real. Cada vez que uma mentira é contada, uma tensão comprime e desestabiliza a própria realidade, deformando-a temporariamente. Esta tensão, porém, cria uma força de recuo e oposição, como numa mola, cuja potência necessariamente contra-avança em direção à mentira a fim de rearmonizar e reequilibrar a realidade. Esta restabilização é, não raro, explosiva, traumática e, nas palavras do Evangelho, “causa de escândalo.” Por que? Porquê, como dizem os franceses, “Chassez le naturel, il revient au galop” | “Expulsai a natureza, ela voltará à galope.” São Paulo apóstolo resumiu a força restabelecedora da verdade ao ensinar que “nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.” A verdade é a super-estrutura do super-ser da realidade. A mentira é uma inadequação artificial que não se encaixa perfeitamente e, por isto, como micro-engrenagem, dura até que o macro-maquinário lhe estoure. Mentir é ofender este organismo cujos anticorpos (os acontecimentos) logo tratarão de esmigalhar a folia e o folião, a fantasia e o fantasiado, a farsa e o farsante. Deus é o pai da verdade. O diabo, o da mentira. Deus criou tudo. O diabo, quer recriar o nada. A força que o cosmos ordenador exerce sobre o nada caótico é a mesma força que a verdade exerce sobre a mentira. Tudo isto para fazer voz uníssona com o caipira e berrar: mentira tem perna curta! Mas não é que ela tenha por si perna curta: é que, Procusto às avessas, vem a verdade e amputa a perna-de-pau até o limite sanguinolento do cotoco…

1454. Que o teu sim seja o teu sim. Que o teu não seja o teu não. Isto basta.

1455. O sono não só descansa o corpo: ele purifica e desembaraça nossa consciência. Não é raro que eu acorde de repente tendo os meus “eurekas!” — conclusões certeiras e límpidas sobre as coisas e as pessoas; conclusões que, acordado, talvez eu não atingisse em nível de compreensão, argúcia e racionalidade. Quem realmente se importa com a existência trata dela consigo mesmo até quando ronca. Dorme e pensa. Pensa e acorda. Acorda, repensa e faz. O sono esclarece a psiquê, ilumina a vigília do inconsciente, anima a alma à realidade.

1456. Toda mulher, da mais santa à mais iníqua, tem o desejo da aventura no coração. Desejo legítimo. Portanto, trate de ser um pouco Dom Quixote, um tanto 007 e um quanto Indiana Jones. Depois não fique por aí (e por aqui) reclamando se um Frestão, um Dr. No ou um Belloq levar a morena para brincar de tiro-ao-alvo nalgum moinho de vento jamaicano. Dispierta, fierro!

1457. Nunca ocupe um lugar que qualquer outra pessoa poderia ocupar. O chão e o galho são para qualquer ave, mas o pico da montanha pertence à águia. As pombas, os pardais e os abutres dividem presença no mesmo solo em qualquer lugar do planeta. Mas quem sobe e plaina sobre o cimo do Everest? O que é só teu tem a medida exata do teu espírito. O que é para qualquer um, cabe em qualquer um. O homem ordinário em tudo se iguala aos outros. Mas o homem que arrasta após si as gentes diverge, diferencia, desiguala: ele afirma a força da própria personalidade e constrói com Deus o seu lugar no mundo.

1458. Não há salvação com idolatria. E nós temos as nossas pequenas idolatrias, nossos ídolozinhos. Temos que perdê-los ou vê-los de alguma forma perecendo para não nos apegarmos a estes “amuletos da existência”. Você gasta horas polindo seu carro? Uma batida na esquina vai colocar a lataria dele no lugar devido no seu coração. Você exibe para os outros ou para si mesmo seu novo iPhone? Ele vai cair na piscina ou a tela vai se partir todinha no chão. Você olha em demasia para seu novo relógio? Ele vai ganhar meia dúzia de riscos profundos na caixa. Você se jacta da sua coleção de livros, vinhos ou bibelots? Uma página vai se rasgar e uma gota de café (ou a garrafa toda) vai manchar a obra magna; uma criança vai derrubar as safras intocadas de 1961 e 1989; um cachorro vai pular sobre a cristaleira: todos instrumentos de Deus para lhe afastar daquilo que não é essencial, daquilo que não é a Realidade, daquilo que lhe afasta das coisas do Alto. Você precisa perder seus ídolos e ver o quanto eles são frágeis. E você vai perdê-los todos, um a um.

1459. Quem faz as contas de perdas e ganhos quando deve decidir sobre certo e errado, já se decidiu moralmente pelo errado. Uma pessoa digna sempre decidirá pelo certo, ainda que cortando na própria carne, ainda que sendo tomada por “errada.”

1460. Estejam conscientes de que vamos criar filhos ingênuos para um mundo malicioso. Saibam que eles serão bobos diante da esperteza dominante, que eles serão inocentes num meio velhaco, que eles serão ovelhas entre lobos. Mas… ainda assim, nós colocaremos no mundo meninos e meninas que serão homens e mulheres honestos, regrados e de olhos brilhando do berço à sepultura. Teremos filhos que vão sofrer mais do que nós e nossos pais sofreram, porquê o caminho estreito ainda mais se estreitará. Mas a terra ainda terá em si plantada um pouco da carne e do sangue que foram feitos para o Céu.

1461. O Bem não é fácil. Mas é o único caminho possível.

1462. No amor (com a mulher, com Deus, com os pais, com os amigos), todo diálogo é mais confissão do que conversa.

1463. Se você realmente entregou sua vida a Deus, você não pode reclamar e se preocupar permanentemente com aquilo que acontece nela. Alguém te injustiçou? Então, injustiçou a vida que você entregou a Ele. Te enganou? Enganou a vida que você entregou a Ele. Te roubou? Roubou da vida que você entregou a Ele. Não se ofenda pralém do razoavelmente natural, nem busque retribuir vingativamente. Entregue-se à Providência e descanse. Se a sua vida já não é propriedade e possessão suas, mas dEle, você não tem um único porquê para reclamar e se preocupar. Deixe tudo com Ele.

1464. Utilidade pública: no mundo emocional feminino, raiva é uma forma de sinceridade.

1465. Há tantos cristãos que de Jesus só conhecem o nome… Conhecem muito o Cristianismo católico e sua liturgia, o pentecostal e seus gritos, o reformado e sua equação teológica, o ortodoxo e sua mística, mas desconhecem o próprio Senhor. Nada de amor, de piedade, de paz, de renovação, de justiça, de misericórdia, de santidade. Só religião: só um Cristo de crucifixo, de curandeirismo, de racionalidade, de sentimentos. São crentes na própria crença. Não têm fé viva na Pessoa e suas obras são piores que as do mais vis descrentes. Melhor seria que fossem ateus sinceros e incrédulos éticos do que sectários infames.

1466. E daí que o Paulo Henrique Amorim era crítico ao governo, que era petista, que era à esquerda. Apoio o governo, sou conservador e tout le reste, mas… que importa, que importa eternamente? Será que um homem é apenas uma ideologia defendida ou é também o amigo de um amigo, o pai de um filho, o vizinho de um vizinho, o avô de um neto, enfim, é um homem complexo bem pralém dum rótulo que o momento histórico impõe? Será que ele era apenas um jornalista “chapa-branca”? Será que ele também não compunha sonetos em versos alexandrinos pra mulher que amava? Será que a vida de um homem se resume apenas e tão somente a cor da bandeira política do dia-a-dia? Será que ele não comia pipoca assistindo TV?, não respondia ao WhatsApp sentado na privada?, não ouvia Scorpions, Cartola e Bach?, não brincava com as crianças do prédio?, não visitava a tia velhinha no hospital?, não ria de memes no Facebook?, não comia pizza amanhecida com catchup?, não tinha dois gatos siameses e um vira-lata? Todo homem é um homem. Nenhum homem é uma causa. Todo homem é filho de Adão, não “só” um homo sapiens. Não seja imbecil!

1467. Haja o que houver, mantenha-se fiel: a Deus, ao cônjuge, a si mesmo, ao amigo, à fé.

1468. Assim como não se escuta Bach ou Mozart em boteco, não se procura por casamento em balada.

1469. Desfruto do silêncio de Deus como quem em sua surdez vê o movimento e enxerga a mensagem através dos lábios do pai e da mãe dizendo um inconfundível “Eu te amo, filho!”

1470. Gente que em tudo põe “panos quentes” geralmente tem a alma fria. Apaziguadores radicais, cuja missão é fazer com que os corretos engulam sapo a fim de manter o ambiente aparente e falsamente “em paz”, são o pior tipo de gente. Os governos corruptos estão lotados de pessoas desse naipe. Indivíduos falsos, destituídos de carácter e compromisso com o justo — querem a harmonia do “céu” no inferno.

1471. Toda vez que vejo alguém empinando o nariz, lembro da sentença bíblica: “a soberba precede a ruína”. A arrogância leva ao buraco: o orgulhoso sempre cai.

1472. Utilidade pública pros zé-manés: mulher não respeita homem que ela pode controlar e não ama homem que ela não respeita.

1473. Essas mulheres que alimentam gatos e cachorros de rua, que correm pra cima e pra baixo tentando salvar algumas das criaturas de Deus, elas não são loucas, nem fanáticas, nem zooxiítas, nem luísas-mell-desequilibradas. São só pessoas boas. Não são “velhas dos gatos” (como aquela dos Simpsons) inspiradas por estorinhas de São Francisco de Assis. São gente que faz o que todo mundo deveria fazer: cuidar do mundo com mais carinho.

1474. Se você se esconder, perderá e não fará História. Mas se você se expuser, ganhando ou perdendo, terá escrito ao menos uma página só sua.

1475. Se o ambiente envenena sua alma, ou você muda o ambiente ou muda de ambiente. Só não fique como está: o preço é adoecer.

1476. Não ajude desleais. Gente ingrata merece aprender, sentada solitariamente na privada, que “dor de barriga não dá uma vez só.” Não se estende a mão, consecutivamente, à pessoa de caráter fajuto.

1477. Há uma imensitude de homens que são heterossexuais quanto ao tesão, mas que são tremendamente homoafetivos no aspecto sentimental: eles gostam muito do peito, da bunda, da coxa da fêmea, mas não do coração, da mente, da alma da mulher. São amigos dos amigos, mas não da própria namorada; são companheiros dos companheiros, mas não da própria noiva: a amizade e a companhia da esposa não interessam. Intimidade com ela só na cama, mas nada de papo no sofá, porquê o sofá serve apenas à algazarra do futebol na tv com os colegas; e a mulher ali só vai aparecer quando ele gritar um “traz a cerveja, meu bem!”. Fisicamente, tudo másculo. Metafisicamente, pouco varonil. Não: o cara não quer casar com o amigo do colegial e com o companheiro do carteado. Não: o cara não é viado, não é frutinha, não é atraído em nada por seus iguais — sua líbido caminha pelo bom caminho da natureza. Mas o cara só quer ser uma só carne com a mulher apenas na própria carne da mulher, enquanto é psiquicamente íntimo dos outros homens com os quais resolveu compartilhar sua vida. A turma da sinuca, a equipe do trabalho e o pessoal do RH sabem mais dele do que aquela que ele levou ao altar. Ele é grosseiro com aquela que lhe é apenas uma dona-de-casa com quem transa, mas é uma seda com a tropa. Ele é calado com aquela que lhe é apenas a mãe-dos-seus-filhos, mas fala pelos cotovelos com o bando. Boa parcela dos casamentos que por aí dão errado estão baseados nisto: o homem só quer saber da vagina e de todas essas delícias da cornucópia feminina, mas não suporta passar tempo (em silêncio ou com diálogo) junto à própria esposa porquê prefere ser extrovertido, conversador e gente boa no boteco junto a um bando de homens igualmente heterossexuais no corpo mas muito pouco machos no seu tesão pelo ser profundo da mulher.

1478. Espanta a quantidade de gente com formação universitária incapaz de ler e interpretar um post no Facebook. A quantidade de diplomas parece inversamente proporcional à capacidade cognitiva: quanto mais graduado, mais cheio de mi-mi-mi hermenêutico. Graças a Deus o povão lê e entende. Por que? Porquê a gente comum não perdeu o senso comum e quando lê “bola” entende bola e não qualquer outra coisa que transcenda à bola, com massa ou sem massa, com 360o de circunferência ou não. A postura vaidosa e tarada por complexificar o simples é hoje marca distintiva dos nossos letrados com Ensino Superior. Eles transplantam chifres em cabeça de cavalo e aparam os pêlos do ovo: vivem de abstrações projetadas, de quimeras tão emaranhantes quanto artificiais. Por outro lado, quão mais proveitosa, fecunda e sensata tem sido a conversa com tantos e tantos analfabetos que encontro por aí! Não à toa o próprio Cristo afirma que ocultou a Verdade dos grandes (doutores, ricos e poderosos da terra) e a revelou aos pequeninos.

1479. Você não ama aquilo que você não protege e não defende, seja sua mulher, sua fé ou sua coleção de figurinhas. Se você deixa a moça sozinha contra a agressão, se você permite que blasfemem do divino, se você cruza os braços quando rasgam a estampa: você não ama. Você usa, você instrumentaliza, você manuseia e… só ama egoisticamente a si mesmo.

1480. Em nome de Jesus há crimes e pecados sendo cometidos. É dever de quem o ama denunciar isso. Edir Macedo, Malafaia, Agenor Duque, Estevam Hernandes e tantos outros blasfemam e lucram, mentem e lucram. Bandidos de terno e gravata, nas igrejas e na política, fazem do Cristianismo motivo de chacota pública e causa de ganho pessoal. O Cristo vendido nas televisões em nada se parece com aquele que encontramos nas páginas sagradas. É antes um banqueiro de Wall Street, um cafetão da fé, um Dr. House divino: é qualquer coisa mais parecida com o próprio diabo que com o Senhor e Salvador dos homens. Não! A Fé não está na Record, na Band ou RedeTV. Não! O Evangelho não está disponível por dízimos e trízimos, por sacrifícios pagos à vista ou parcelados no cartão de crédito. Não! Jesus Cristo não é um boneco instruído pelas mãos de apóstolos e bispos sem missão e serviço que leiloam milagres e lugares do Céu. Não! Não! Não!

1481. A “Marcha Para Jesus” é uma ação midiática neopentecostal, cujas igrejas a criaram e a patrocinam. É uma demonstração de força e poder político, econômico e social da chamada “Teologia da Prosperidade”, que nada tem a ver com o Evangelho de Jesus Cristo. Igrejas evangélicas sérias (reformadas, sobretudo) não participam. Cristãos comprometidos com o Reino não marcham histericamente com heréticos como Valdomiro Santiago e Estevam Hernandes. Quem ama a Deus não o prostitui com César. A “Marcha Para Jesus” não é cristã: é pura e ímpiamente pagã.

1482. Na bonança todos os homens parecem-se bons. Mas o homem verdadeiramente bom o é quando os tempos lhe forçam e induzem a ser mau. É na resistência, em provação, que um caráter é realmente conhecido.

1483. O homem bom sempre parecerá contraditório aos olhos do homem mau.

1484. O amor, e não a beleza em si com seus agrados aos sentidos, está no centro do bem — da vida. Não me canso de recordar que o mesmo Deus que criou os querubins criou também a barata; criou tanto o cavalo (que o Mário Quintana dizia ser o mais perfeito animal) e a borboleta quanto a hiena e o urubu; criou a fragrância de todas as flores e também o odor dos gambás, da urina, da flatulência. Se a gente investigar direito, todas essas coisas, todas as coisas, “colaboram conjuntamente” para nosso bem. E quanta “feiura” com seus desagrados não nos tem feito bem!

1485. Aqui só tem eu. Sem personagens. Somente eu: bruto, mas sou eu e não outro.

1486. Torcer para que as coisas piorem é desde sempre o desejo do diabo. “Quanto pior, melhor” é a ideologia do inferno. Cuidado para que a vitória da sua causa não dependa da derrota dos outros. Cuidado. Uma coisa é ter opiniões duras, críticas e mesmo pesadas; outra é despistar o próprio ódio com elas.

1487. Não consigo ver folha de árvore como sujeira. Lixo enfeia. Folha, verde ou seca, embeleza.

1488. Não chame de amigo a qualquer um. Amigo é coisa boa, grande, do peito. A maioria é apenas gente com quem circunstancialmente se convive(u) e só, e nada além, e nada mais. Olhe para sua mão: seus amigos não superam o número destes dedos aí.

1489. Que o amor de Deus supere em você todas as antipatias e todos os ódios ocultos ou declarados. Que o amor de Deus o livre da escravidão da auto-justificação e do espírito de vingança sempre latente. Que o amor de Deus abunde em seu coração e você perdoe tudo a todos.

1490. Perguntei pessoalmente a 23 pessoas, durante dois dias: “qual seu objetivo supremo na vida?” Ninguém disse: “quero o Céu!” Ninguém. [nominalmente, todos cristãos…]

1491. Eu não pretendo ter filhos milionários. Quero filhos que amem e sirvam a Deus, ainda que obrando ofícios simples e trabalhos manuais. Não desejo que eles sejam homens de renome mundano nem que ganhem aplausos e fama. Desejo que eles sejam recordados por Deus na oração e tenham um lugar no Céu. Não espero ter filhos para o mundo. Espero ajudar a povoar o além. Toda a vida é redefinida a partir dessa perspectiva. Esta é a minha e pretendo mantê-la a despeito de qualquer dificuldade: criar dignamente meninos e meninas para serem homens e mulheres dignos. Não quero um “menino Ney” parido pra existência. Prefiro um zé-ninguém com brilho nos olhos e consciência pura. O resto é lucro e está nas mãos dEle.

1492. Nada fica encoberto, seja você o Neymar ou o rei Davi. Piriguete de WhatsApp ou mulher de general, o praticado em oculto sempre será revelado. O “crime” não compensa. Nunca compensa. Está na Bíblia e também lá na célebre canção de Leonard Cohen: “She tied you to her kitchen chair / She broke your throne and she cut your hair / And from your lips she drew the Hallelujah.” A vergonha do pecado mancha as biografias e as almas, sob o preço final dum assassinato ou da derrota numa Copa do Mundo… Nossa geração precisa urgentemente redefinir quem são seus “heróis”, quem é digno das nossas palmas e celebração.

1493. Beleza sem conteúdo é batata frita sem sal. Sem graça.

1494. A vida do Gabriel Diniz, do mendigo sob o viaduto, do Príncipe de Gales, da balconista da padaria, da minha amiga Florinda que faleceu ontem à noite, do líder da oposição japonesa, enfim, qualquer vida e a minha e a sua vida, têm diante da soberania de Deus o mesmo valor: nenhum. A mídia mais fala e mais lamenta a morte conforme a popularidade. Mas o que realmente importa é se fomos ou não remidos pelo sangue de Jesus Cristo. Importa a salvação. Todo o resto, com ou sem comoção pública, com ou sem plantão no Jornal Nacional, não passa de falatório passageiro. Daqui um mês, quem se lembrará do avião que caiu? Daqui à Eternidade, Deus se lembrará da sua alma? É isto que importa.

1495. Quem em muita consideração leva a beleza, já está planejando a “troca” no futuro. Porquê objetifica o outro e objetos perdem a atualidade da moda e envelhecem. Lei da Entropia, of course. Mas quem é tratado como objeto sabe que é tratado como objeto e sabe que objetos se trocam; e se não se importa muito com isso, o faz apenas porquê também trata como objeto; deixando claro que esses interesses baixos do usar-até-enjoar são mutuamente compartilhados. Pessoas que são mais coisas que gente primam excessivamente pela estética e, como tais, sempre quererão atualizar o modelo, a marca, o produto para outros mais bonitos. Resta saber se você é coisa ou é de corpo, alma e espírito.

1496. Tente ser bom e você saberá o quanto você é ruim.

1497. Quem não é fiel no pouco não pode ser fiel no muito. Então, não existe essa de “coisinhas sem importância”. Ou a gente faz o certo ou faz o errado. Diante de Deus não existem miudezas morais desculpáveis, justamente porquê são elas que elevam gradualmente à santidade ou rebaixam pouco a pouco à condenação. O pouco medra o caminho do muito. Você primeiro cuida de tostões para depois guardar tesouros, primeiro aconselha um amigo para depois apascentar multidões, primeiro se abstém da pornografia para depois ser fiel no casamento, primeiro cuida dos rebanhos escondidos para depois ser rei, primeiro faz a cama para depois governar toda a casa. Quem quebra as regras “pequeninas” não guarda as grandes. Quem não se importa com os detalhes da parte não pode viver pelas estruturas do todo. Quem não toma a gota do remédio amargo não pode beber o doce cálice inteiro da saúde.

1498. Não existe esse negócio de “deu valor porquê perdeu.” Esse valor dado a posteriori não é valor: é a pessoa fazendo contas da utilidade prática do que tinha e agora já não tem. Valor é dado antes de tudo na presença; na ausência, é apenas egoísmo bem ou mal disfarçado. Ou o valor é para hoje ou nunca será nada além de preço romantizado, idealizado. O que existe é “dou valor porquê tenho”. Tudo aquilo que não fecunda no presente não pode brotar no futuro quando aquele já for passado. Se ama, ama agora. Se quer bem, quer bem agora. Se preocupa, preocupa agora. Se importa, importa agora.

1499. O amor está nos pequenos gestos constantes, nos detalhes. Esqueça os discursos dramáticos, as performances de ocasião. Há amor no copo de leite quente e açucarado que se entrega toda a noite, até o fim da vida, pelo marido à mulher que sofre de insônia. O amor não está no drink de balada do sempre repetível fim de semana, por gente diferente à outra gente igual. O amor é uma rotina, um dia-a-dia, um continuar e um prosseguir sem fim. O amor é uma liturgia quietinha que se aprimora no cotidiano.

1500. COMO LIDAR COM PENSAMENTOS INCÔMODOS: 1. Nem todos os seus pensamentos são seus pensamentos. O fato de um pensamento estar dentro de sua mente, e por ela andar e rondar, não significa em absoluto que a origem dele seja você. Há pelo menos três origens possíveis: i. humana, ii. divina e iii. demoníaca. Não cabe aqui explicar cada uma delas (com suas muitas subdivisões e variações decrescentes), mas saiba isto de antemão: o fato dele estar aí dentro, aí na sua cabeça, não atesta que o pensamento tenha nascido do seu eu. Todos surgem no seu eu, mas não necessariamente provêm de você. Ou seja, você não deve se alarmar, sentido-se absolutamente responsável pelo conteúdo pleno do que pensa; 2. Um pensamento que incomoda é, antes de tudo, um pensamento que causa algum grau de medo. E porquê você teria medo de algum pensamento? Geralmente, um pensamento incômodo revela para nós um problema de auto-conhecimento: se você foge do que pensa, foge do seu eu tanto positiva (porquê não quer afirmá-lo) quanto negativamente (porquê não quer negá-lo). Só o mais ou menos desconhecido pode incomodar. Aquilo que conhecemos com profundidade do nosso eu é inofensivo em termos de incômodo, por mais que saibamo-lo bom ou mau. Afinal, saber (e conhecer) alguma coisa é, de certa forma, pelo menos restringir e até mesmo anular seu poder de ação, reação, afecção e infecção psíquica. Um pensamento que incomoda, incomoda porquê fica sufocado e reprimido no inconsciente; 3. Daí, segue que a fórmula para acabar com o poder dos pensamentos incômodos é justamente aceitá-los. Nunca tente pensar em outra coisa quando um deles aparecer. Jamais mude de assunto ou tente se distrair para que ele passe e você se esqueça dele. Não funciona se esquivar da análise. Quanto mais você jogá-los para “debaixo do tapete”, maior poder eles terão e… logo voltarão ainda mais poderosos e amedrontadores. Assim que um pensamento incômodo transitar por sua consciência, pegue-o com força e, exercitando as virtudes da coragem e da força de vontade, enfrente-o. Jogue luz sobre ele: raciocine, logifique, medite, reflita. Raciocine sobre sua origem e como e quando ele surge. Logifique sobre seu porquê, identificando seu estado de espírito no contexto. Medite em toda sua biografia e extraia dela as respostas causais para as emoções e sentimentos que o acompanham. Reflita sobre tudo e sobre todos na sua vida, sobretudo acerca de como as coisas e as pessoas te afetam; 4. Liberte-se do medo de ser você mesmo. Não ceda às quaisquer pressões do mundo, que quer fazer de você a imagem do caos e a semelhança da desordem. Você é singular, único, individualíssimo em sua personalidade e atributos. Estar pronto a viver autenticamente, integrado e unido em si mesmo, sem prostituir sua natureza mais elevada em nome da aceitação baixa da multidão, te liberará de um sem número de medos. Seja em tudo espontâneo. Deixe que o mundo se retraia patologicamente, atemorizado em refletir grandezas que aqui na terra parecem-se com “loucura.” Que você se levante corajoso diante da vida. Para tanto, perscrute-se sem medo: para cada possível trauma e para cada possível ferida há em Deus a “possível impossibilidade” da cura e da cicatrização. Seja uma equação para si mesmo, seja um pensamento para si mesmo. Quanto mais você pensar em si mesmo, destrinchando as estruturas e os detalhes da sua alma, mais você poderá ser você, até que um dia, como Dom Quixote, olhará para o espelho e, ultrapassando o próprio e fiel reflexo, dirá “Yo sé quién soy” / “Eu sei quem sou”; 5. Por fim, guarde esta verdade bem profundamente: você não é o que pensa, primeiramente. Antes de tudo, você é o que você faz. Pulsões ancestrais com seus atavismos e taras, sussurros demoníacos, condicionamentos sócio-culturais, falatório do zeitgeist coletivo, neuroses ambientais e todo o diabo-a-quatro físico e metafísico da existência e da vida que confluem para seu cérebro, que atam e desatam ligações neurais entre seu córtex e seu espírito, não são você. Você é o que você decide conscientemente fazer. Você é seu núcleo livre de consciência. Quando você descobrir isso, e crer fiel e firmemente nesta realidade, você retomará o controle da sua cognição e, com ela, tomará mais fôlego em Deus e, juntamente com Ele, poderá dizer em alta voz: “Eu sou o que sou”. Mas, para chegar a este estado, é indispensável orar. É preciso que você ore muito, que você dialogue com Aquele que poderá dizer a você mais perfeitamente coisas que você mesmo não sabe a seu respeito.

1501. Sabe quando você olha para certo dia da semana e, por algum descompasso da rotina, ele parece ser outro? Quando é quinta-feira, mas porquê é feriado ou porquê você ficou em casa, você sente o dia como sendo um sábado? Sabe aquela sensação de associar determinada inclinação da luz à tantas horas da tarde de tal dia e uma certa aura mista (e mística?) de “temperatura-altura-e-pressão” a um jeito específico dum outro dia de outra estação? Sabe quando você sente cada dia da semana de um jeito e, intuitivamente, atribui suas características específicas a outros dias? Penso que quanto ao coração as coisas também sejam assim. Nós que medimos mais o tempo pelas aparências relativas do peito que pelo calendário que fala ao cérebro, constantemente projetamos o que está cá do lado de dentro por sobre o que está ali do lado de fora. E nos enganamos. E interpretamos mal. Assim como é preciso olhar diariamente para aquilo que nos diz o calendário, a fim de sabermos aquilo que a data programa para a rotina e não sermos enganados por um domingo interno que é sexta-feira externa, é também preciso voltar os olhos para as coisas tais quais elas são no mundo dos olhares, sob pena de perder-se na sensação de que uma cortesia pega de relance na íris é ternura romântica, de que certo brilho que outrora tivemos num ser amado se repete noutro que não nos ama, de que o dantes vivenciado aqui por mais que na aparência se pareça com o vivido ali nada é senão uma sensação, uma dissociação entre a prática que os olhos vêem e a teoria que os olhos já enxergaram. Alguém, acho que um poeta italiano (não lembro quem), disse isto: “Meglio aggiungere vita ai giorni che non giorni alla vita.” / “Melhor acrescentar vida aos dias do que dias à vida.” Quanto ao amor, que se diga o mesmo: melhor acrescentar amor à vida do que vida ao amor. “O acessório segue o principal”, dizemos no Direito. Olhe para as coisas sem carências, sem pulsões de querências e sofrências, sem pespegar às aparências outras essências que não lhes pertencem, sem acrescentar uma existência à coisa quando é a coisa que deve acrescentar à existência. É sábado do lado de fora? Que seja sábado do lado de dentro. É amor do lado de dentro? Que seja amor do lado de fora.

1502. Não há amor maior que o de Cristo. Antes de se deslumbrar com qualquer “chamego”, olhe para a Cruz.

1503. Quem tem coração, tem ao mesmo tempo uma bússola e um maremoto no peito. O mesmo coração que indica o caminho, rasga o mapa. O mesmo coração que guia para o norte, confunde os pólos. O mesmo coração que ilumina feito farol, embaça as retinas com neblina. Quem tem coração tem certeza e, ao mesmo tempo, insegurança; tem convicção de amor e dúvida de paixão. O que fazer, então, se céu e inferno parecem coabitar o mesmo pedaço de carne e espírito que pulsa sangue e alma em nós? O que fazer, já que frio e calor lutam sobre as mesmas veias e emoções, sobre as mesmas artérias e sentimentos? Escolha para partilhar sua existência e compartilhar sua vida a pessoa que conseguir alcançar o porto ainda que a noite seja escura e temerosa. Escolha para singrar o oceano tempestuoso a pessoa que for capaz de manejar o leme com os olhos fechados, confiando na rota invisível que o Espírito ensina aos marujos mais valentes. Escolha a pessoa que, contra as lógicas do naufrágio e as razões do afundamento, nade, nade e nade até que o sol nasça, até que as águas se acalmem, até que já não seja preciso navegar, porquê, no altar, terra seca e segura surgiu sob os pés. Aceite que seu coração vai e vem com as marés. Só não aceite perder de vista o destino da jornada. Só não deixe de remar, com quem escolher. Esta é a glória da nossa humanidade. Esta é a glória da nossa fragilidade: temos um coração.

1504. Nenhum tempo é desperdiçado se você aprende a lição.

1505. Ore para que Deus arranque da sua vida tudo aquilo que não é real e verdadeiro. E aceite, depois, o fim das suas “ilusões de estimação.”

1506. 5 PEQUENAS COISAS para fazer seu dia bem melhor: I. Acorde com boa música. Não use o despertador padrão do celular, que é o equivalente sonoro do balde de água fria. Instale algum app despertador de música. Começar o dia ouvindo beleza e arte faz a diferença. A gente acorda em paz e sem o costumeiro sobressalto traumático que nos acompanha desde o “mãe, deixa eu dormir mais um pouquinho…!” do primário. Eu ouço o “Jesus, alegria dos homens” de Bach. Você pode e deve ouvir a sua preferida, aquela que te faz bem; II. Tenha ritos para as pequenas atividades. Disciplinar sua escovação de dentes, a troca de roupas e calçados, a ordem dos ingredientes na receita, a posição dos livros na estante e de tudo aquilo que embasa seu cotidiano é uma oportunidade para que você se discipline inconscientemente para as grandes atividades. Se você é fiel nas pequenas coisas, terá muito mais força quando tiver que executar as grandes. Quem não consegue arrumar a própria cama com zelo e constância não planeja uma existência empolgante e frutuosa, via de regra; III. Se você tiver que resolver pequenas questões domésticas e isso exigir que saia de casa, vá a pé. Procure caminhar o quanto puder. Olhe pra sua calçada, pra sua rua e pras outras ruas com atenção. Descubra e aprenda sobre os mundinhos que te cercam. Há crianças, pardais, pombas, gatos e cachorros. Há florezinhas crescendo nos pequenos trincos das sarjetas. Há aromas diferentes entre um CEP e outro. Há belezas e feiuras que se contradizem e se abraçam na Realidade. Se você andar mais a pé, terá a consciência mais afiada e afinada; IV. Use seu celular (de novo ele) para fotografar menos a si mesmo e mais ao mundo. O espelho do banheiro e da academia já estão cansados de selfies. Diminua os auto-retratos e ponha seus olhos na vida que te segue. Há passarinhos comendo farelos nas praças, velhinhas na feira, crianças correndo no campinho, o sol nascendo e se pondo no horizonte, lixo nas ruas (que em preto e branco, pela evocação da Eternidade, sempre fica bonito). Fotografe aquilo que te chama a atenção. Sua visão ficará mais pura, mais objetiva, mais crítica: se acostumará a procurar a Beleza sobre a qual o mundo se funda e sem a qual você se afunda. Não apenas seu gosto estético melhorará. Sua alma ficará éticamente mais sensível; V. Dedique 5 minutos para a leitura de algum texto literário. Indico sempre que se comece pelos livros poéticos da Bíblia (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares). Mas você também pode ler um soneto de Dante e Shakespeare, pode ler Drummond, Manuel Bandeira, Yeats e T. S. Eliot, enfim, pode ler palavras cheias de verbo e não só se empanturrar dessa verbosidade algo demoníaca que vem dos noticiários. Largue mão (um pouco, vai) dos memes e do Pânico à hora do almoço e use o Google para encher sua alma de coisas menos passageiras. Afinal, quando você estiver paquerando ou morrendo, um verso sempre será útil para amar e consolar.

1507. Curioso como pessoas tidas por muito bonitas podem ficar tremendamente feias assim que abrem a boca. E, por outro lado, como pessoas às vezes consideradas “feias” podem ficar lindas quando a alma fala por suas línguas.

1508. A santidade organiza a vida. E o pecado? Bagunça tudo.

1509. O efeito prático da imoralidade sexual generalizada está aí: muita mulher boa e decente sofre solidão e nunca irá se casar. Por que? Porquê a qualidade dos homens e das mulheres em geral está mais baixa que o subsolo do inferno, mas, ainda assim, existem mais mulheres boas do que existem homens bons. Ou seja, há sobra numérica no campo feminino. Resulta que a conta para a formação dos pares não fecha. Isso é terrível. Percebem como o descontrole emocional e sexual conjuntural de curto prazo destrói as possibilidades de estabilidade sentimental e sexual de médio e longo prazos? O que se planta hoje na desordem afetiva individual se colherá amanhã na destruição afetiva coletiva. Há muitas Saras, Rebecas e Raquéis; e há pouquíssimos Abraãos, Isaques e Jacós. Isso é cruel.

1510. Que o seu maior desejo seja o de ser bom. Bom, honesto e simples.

1511. Não desabafe com qualquer pessoa. Não desnude seu coração diante de qualquer um. Não conte seus tremores, temores e terrores a quem quer que seja que, primeiro, não tenha provado ser exemplo silencioso de vida santa. Não exponha seu íntimo, seu particular mais do âmago, a alguém que não seja capaz de ser forte o suficiente para guardar só consigo a sua fragilidade. Não se abra com quem não fechará a abertura. Em suma, nunca se confidencie com gente faladeira e imoral, com gente fofoqueira e iníqua. Fale primeiro com Deus. Depois, procure gente madura de fé igualmente madura. Do contrário, as verdades e as mentiras do seu coração correrão de boca em boca e de ouvido em ouvido.

1512. Nós deveríamos agradecer profundamente pelas nossas decepções. Uma decepção que é senão a revelação duma realidade falsa, o descortinamento duma ilusão? Decepcionar-se é, para o homem sincero, um presente da verdade contra a falsa presença da mentira em sua vida. Deus nos abençoa com libertação toda vez que um mau procedimento do próximo nos apunhala o coração com deslealdade. Bendita seja a decepção, santificada seja a decepção, glorificada seja a decepção!

1513. Você vai continuar infeliz enquanto não descobrir a quê veio neste mundo. Sem o sentido profundo da própria existência, sem a descoberta essencial de sua vocação individual, você viverá de fuga em fuga, de tapeação em tapeação, de tapação de buraco em tapação de buraco. Você foge através de roupas de marca, de hobbies, de pecados, enfim, de quaisquer atalhos que gastem seu tempo até que tudo se passe pelo caminho e a morte finalmente chegue. Você tapeia a própria consciência, tenta pensar em qualquer outra coisa quando os pensamentos sérios e visceralmente incômodos vêm estragar a falsa paz de espírito da sua rotina de até 70 e tantos anos pelo menos. Você enfia qualquer coisa no peito e qualquer coisa na cabeça, qualquer novela global, qualquer documentário, qualquer filme na Netflix, qualquer e qualquer coisa para passar o tempo entre suas certidões de nascimento e óbito. Você só será feliz quando descobrir o porquê de estar, aqui e agora, neste mundo. Você só será feliz quando passar a exercitar sua vocação e, então, a exercer seu ser completo, integral e total nesta existência. Trate de se encontrar entre os bilhões da espécie, trate de se reencontrar diante de Deus. E então, você experimentará felicidade permanente, a felicidade de ter motivos para viver e morrer.

1514. Quando as pessoas não têm ideais no coração, elas não são leais. Não se pode confiar em quem é movido pelo instinto da auto-preservação. Nessa vida, só é leal quem tem motivos existenciais que superam o ronco do estômago e os estalos da biologia. Do contrário você será passado para trás em nome de qualquer conforto que aqueça o corpo, ainda que esfrie a alma… Apenas gente com valores aceita cortar na própria carne. Gente sem valores, cortará a sua enquanto não saciar a fome insaciável.

1515. Os homens estão cada vez mais canalhas e afeminados e as mulheres cada vez mais carentes e, por isto, devassas. Equação da infelicidade geral. Ou vocês olham novamente para os bons e testados valores de sempre, ou vão morrer todos nonagenários e solitários na cama do hospital. Muitos machos e fêmeas, com corpo de mamífero. Poucos homens e mulheres, com espírito humano. Os votos do altar são a luz no fim do túnel para essa geração que transformou o encontro do homem com a mulher em match no Tinder, em transa ocasional de fim de semana, em status no Facebook, em defraudação emocional pós-balada, em contatinho no WhatsApp. Os homens voltarão a ser valorosos e varonis e as mulheres dignas quando a antiga receita for recuperada: o amor — puro e simples.

1516. Deus é seu fiador quando você fala a verdade. Ele trabalhará para expor a mentira.

1517. Tenha conversas interiores, consigo mesmo. Dialogue com seu eu. Converse para dentro. Ouça-se, fale-se, diga-se. Todos nós temos questões, maquinações, pensamentos que vão e vem e que geralmente nós jogamos para debaixo do tapete mental. Bata papo com seu eu. Desnude sua consciência e escancare sua inconsciência para ser consistente. Seja seu próprio e principal assunto. Você se encontrará a si mesmo, em lucidez e segurança. E ore. Ore muito.

1518. Pessoas orgulhosas sempre pensam que nós queremos o mesmo que elas querem. Não admitem que às vezes aquilo que para elas é tesouro para nós é lixo. Por isso, constantemente, os orgulhosos enxergam os outros como concorrentes.

1519. Admiro muito faxineiras, lavradores, porteiros, cortadores de cana, mecânicos, garis, enfim, quem trabalha com as mãos. Eles trabalham à moda antiga, sentem na pele o mundo em estado bruto. Ouso dizer que a civilização depende deles. A civilização depende mais da moça dos serviços gerais da USP que do professor de Sociologia que quer transformá-la em categoria política. A civilização depende mais do camelô que vende sacolé na Esplanada dos Ministérios que dos 513 deputados que querem tributar até a alma do vendedor ambulante. A civilização não depende de vereadores e prefeitos, de governadores e parlamentares estaduais, de presidente e deputados e senadores federais; não depende de excelentíssimas sanguessugas com suas complexidades artificiais. A civilização depende de quem mantém o dia-a-dia em ordem, no ritmo simples da lei natural. Quem quer planejar o futuro à longas distâncias é quem cria a desordem e a barbárie. Não tenho dúvidas: devemos nossas mãos mais finas às mãos mais calejadas. São elas que nos recordam do Éden, donde o pão começou a ser sovado com sangue, suor e lágrimas. É necessário recordar e exaltar a nobreza de quem trabalha com as mãos.

1520. O uso excessivo do celular está emburrecendo todo mundo. É nítido e inegável. O analfabetismo que mal fazia correr o lápis no papel hoje desliza os dedos na tela do celular com presteza inigualável!

1521. O cristão deve ser bom, não bobo.

1522. A verdade ali se esconde atrás dos montes, naquele cantinho onde as folhas são rubras e a relva é véu para aquecer no inverno a flor. Quisera ser um dos hobbits da fábula antiga para poder me aninhar naquela terra sincera, onde no caleidoscópio a cor da flor é sua cor, onde os pintores acalmam suas írises no amor, onde toda a paleta cósmica goteja frio e calor sem esfriar ou esquentar o visceral, o coração.

1523. Em Babel, o Homem quer subir ao Céu por forças próprias. Em Betel, Deus desce à Terra.

1524. A vida é ampulheta: a areia está no alto, depois está lá embaixo; grão a grão. A areia é só um pó mais robusto.

1525. Mentira tem perna curta e muleta alguma lhe cai bem.

1526. Ou somos homens de consciência ou nada.

1527. A esfinge ordena que eu a decifre ou ela me devorará. Pobre coitada… como poderá ela mastigar-me, eu que sou todo areia do deserto? Mastiga-me e engasgo-te!

1528. A realidade do mundo diariamente mina meu idealismo. Todo dia eu tenho que encher com azeite essa botija rachada.

1529. Pode ter saído do jeito que você não queria, mas saiu do jeito que Deus quis.

1530. Desejo que o silêncio me seja doce, doce como é o néctar ao paladar das abelhas que trabalham no jardim do camponês. Um silêncio dourado como o mel iluminado pelo sol do meio dia nos campos da Toscana. Um silêncio piedoso, um silêncio santo, um silêncio colhido no som da foice aliviando o caule do trigal do seu grão de pão. Desejo, meu Pai, o silêncio dos anjos daí espiando o crime do Calvário. Desejo o silêncio da língua seca, sem hissope; desejo o silencio da Palavra que sussurrou um rasgar no véu do Templo.

1531. Senhor, achega-te a mim, porquê eu me achego a ti e depois me volto para o mesmo ponto, para trás. Eu me envergonho das minhas vergonhas e dou passos vacilantes, infantis, em direção do ponto de partida. Só cruzarei a faixa de chegada se meus pés contarem com o teu caminho.

1532. Senhor, eu sei que me escutas. No íntimo eu sei com uma certeza fundamental e pura. Mas, Senhor, eu tenho intelecto e ele pensa; e seus pensamentos são aqui estabelecidos na terra, que duvida e faz duvidar. Então, Senhor, ajuda-me a crer!

1533. Quero a Deus. Quero a Deus na minha alma!

1534. Senhor eu sou vão. Um vão vacuoso. Preenchei-me de Ti.

1535. Curioso: o Rei da França gerou o Rei dos Romanos. Com Napoleão, o Imperador dos Franceses gerou o Rei de Roma. Território e Povo. Povo e Território.

1536. Acrescente diariamente um grão de sal a um barril do vinho mais doce e um dia você terá vinagre ou molho para salada. Pequenos vícios são artífices da mediocridade.

1537. Os terroristas islâmicos não perguntam ao cristão se ele é católico, ortodoxo ou evangélico antes de matá-lo. Eles nos martirizam porquê nosso Deus é Jesus Cristo. Está na hora de pararmos de brincar de guerrinhas fratricidas e nos unirmos contra nossos inimigos de sempre. O que ocorreu hoje no Sri Lanka será exportado para nosso continente em médio prazo. Estejamos preparados para lutar por nossa fé. Estejamos preparados para, a despeito das diferenças (que manteremos), nos unirmos naquilo que é essencial. A tribulação virá sobre nós. Estejamos preparados.

1538. Dê chocolates aos seus filhos, mas conte a eles sobre a Cruz. Que eles se lambuzem com ovos bem gostosos, mas que também eles saibam sobre o sangue do Calvário.

1539. Cristo que é para você? Um cara legal, ativista e militante no século I? Um proto-hippie? Um profeta sideral? Jesus é só um “mano celeste”? Um mártir político? Um guru espiritualista? Ele foi, é e será o Filho Unigênito de Deus. Ele é o Verbo Encarnado, o Senhor de toda a criação, o Rei do Universo, o Príncipe da Paz, a Face Visível do Deus Invisível, o Alfa e o Ômega. Ele era aquele bebê na manjedoura e hoje é o sofredor na cruz do calvário. Ele é o Salvador. Será que você se importa? Será? Hoje não é feriado. Hoje é o dia em que recordamos o maior amor do mundo. Dignifique este dia. Que a sua vida dignifique a morte dEle.

1540. Tem quem vá pra igreja e se torne pior, que leia muito a Bíblia e se torne pior, que comece a falar muito de Deus e se torne pior. Por que? Porquê arranjou apenas um jeito “legítimo” de dar vazão ao ego e… se achar melhor. Não há nada pior que o orgulho, que piora qualquer situação. Melhor fosse não ir à igreja, não ler a Bíblia, não falar de Deus. A condenação seria mais branda.

1541. A imensa maioria das mulheres bonitas deste nosso mundão não se parece com essas outras mulheres das passarelas, revistas e outdoors não. A beleza é tanto mais atraente (eu acho) quanto mais natural, quanto menos fabricada: com olheiras ocasionais, sem maquiagem, com sardas, marcas e cicatrizes aqui e ali, cabelos algo revoltos, não muito magricelas nem muito rechonchudas, pele com cheiro de pele perfumada por leve rastro do sabonete do último banho. É bonito o que é como é. A imensa maioria das mulheres normais é muito mais bonita (repito: eu acho) que estes “paradigmas de beleza” artificial que a indústria e a mídia apresentam aos nossos olhos todo santo e profano dia. Mulher normal é que é bonita.

1542. Não te incomoda que, ano após ano, você não aprenda e não melhore em nada? Não te incomoda ser apenas um mamífero existindo em meio a outros bilhões da espécie? Os neandertais ao menos se maravilhavam com as estrelas no céu e com a fogueira na terra. Você mal ergue o pescoço pro alto e mal esquenta a comida no microondas. Não te incomoda ser apenas um sistema digestivo ambulante?

1543. Quem aí nunca quis jogar os diplomas no buraco, comprar um sitiozinho e virar agricultor? A vida na roça atrai tanto que, às vezes, a enxada parece ser mais leve que a caneta. A terra ainda exerce seu magnetismo sobre as almas românticas. O ideal bucólico do campo, da volta à casa ancestral, ainda nos chama à uma vida mais simples e natural. Fugir da cidade: quem aí nunca acalentou, no fundo do coração, este desejo?

1544. Fazer alguém sorrir é uma das coisas mais prazerosas da vida.

1545. Os templos poderão cair. Basílicas serão profanadas, catedrais incendiadas, monastérios derrubados e até os oratórios e as capelinhas serão vilipendiados. Foi assim com o Templo de Jerusalém, e não ficou pedra sob pedra. Foi prometido que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (invisível e triunfante), não contra as igrejas (visíveis e militantes). Por mais que nos entristeçamos com a arquitetura da nossa arte ruindo, por mais que nossos tesouros de fé e piedade sejam sacrilegamente queimados, nós temos as catacumbas de sempre nos convocando ao martírio que se avizinha: nossos irmãos chineses, católicos e evangélicos, neste momento se escondem nos porões, nos esgotos, nos buracos ocultos do Estado para renderem culto ao Cristo, tão proibido sob os comunistas quanto sob os césares. A perseguição foi, é e sempre será a glória da Igreja. Que o discurso dos heróis Macabeus, que há 2.200 anos se levantaram contra a profanação do Santo dos Santos, seja também o nosso: “Levantemos nossa pátria de seu abatimento e lutemos por nosso povo e nossa religião!”

1546. A Catedral de Notre-Dame está em chamas. Mil anos de história cristã ocidental agora se desfazem em cinzas. Os ossos de São Luís se revolvem e se revoltam no túmulo! Triste fim da Civilização Européia, carcomida por liberalismo, ateísmo e islamismo. Montjoie? Saint-Denis? Sinal dos tempos. Deus tenha piedade. Dies Irae… [15.4.19]

1547. Deus nos ama. Que verdade tão simples quanto profunda!

1548. Ontem à tarde, ouvindo o papo de dois moleques sobre as tais fotos do Buraco Negro, perguntei na lata: “tudo bem, mas vocês já pararam pra ver o nascer e o pôr do sol?” A resposta foi terminantemente negativa. Esta é a “síndrome do telescópio” da nossa geração: valorizamos e nos interessamos por tudo o que está distante, inalcançável de tão longe, mas sequer prestamos atenção aquilo que de grandioso está ao alcance do nosso olho nu… Vale pra tudo na vida, infelizmente.

1549. O apreço pelo silêncio é sinal de saúde espiritual. Sinto muito, mas igreja não é lugar de gritaria, cacofonia e barulho não… Quanto mais alto o som, mais baixa a razão; e quanto menos razão, menos consciência. O culto a Deus é consciente: um cérebro “aquecido” por decibéis incompreensíveis não pode adorar adequadamente. Deus não é surdo, mas você pode ficar se insistir em estardalhaço sonoro.

1550. Você não ama a Deus se você não fala com Ele. A oração é uma serenata de amor.

1551. O desejo por uma casinha de madeira e pedra nas montanhas une as almas românticas.

1552. Em 5 minutos você consegue ler um soneto ou ouvir uma peça para piano ou admirar os detalhes duma pintura. Em 5 minutos você pode mandar um “e aí, tudo bem?” em prosa e verso. Em 5 minutos você pode escrever um resumo do seu dia, ou correr quase 1 quilômetro, ou pesquisar no Google qual é a constelação que está acima da sua cabeça à noite, ou aprender uma receita nova de batata frita, ou elogiar a moça dos pés à cabeça, ou comprar um livro no Amazon. Em 5 minutos você pode decorar um salmo da Bíblia ou aprender a usar crase ou ler a pequena biografia na Wikipédia de alguém que sabia o quanto valiam 5 minutos. Em 5 minutos você consegue fazer muita coisa além de sentar e bufar e esperar por maná do céu. Em 5 minutos, milhares morrem e nascem, amores surgem e homicídios acontecem, sementes germinam após anos de dormência e artistas rascunham as sombras de obras imortais. Você não tem tempo, mesmo?

1553. Antigamente os pobres se esforçavam para manter a casinha sempre pintada, a calçada varrida, os alumínios areados, as roupas de linho barato e chita lavadas só com água e lisinhas passadas só no ferro. Tudo era muito simples, mas muito limpo. Tudo era muito humilde, mas muito organizado. Palavrões não se falavam em hipótese alguma porquê, como se dizia, “nós não somos dessas coisas”. As avózinhas analfabetas não sabiam escrever o próprio nome, mas sabiam recitar orações inteiras de cor, com memória superior aos dos nossos universitários incapazes de lembrar pequenas equações. Os avôs passavam o dia na roça, comendo polenta no café, no almoço e na janta; de vez em quando, um pedaço de carne de porco da lata. Essa gente de mãos calejadas constituiu família, criou e educou os filhos, que andavam quilômetros a pé nas estradas rurais para aprender o abecedário com professoras sem os stricto sensus da existência acadêmica. Os pobres nasciam pobres mas não ficavam pobres-de-marré por muito tempo: costuravam, faziam bicos, trabalhavam por fora para ter vida melhor por dentro. Iam morrer piedosamente, com velório em casa, chorados por toda a penca de escadinhas de filhos, netos e bisnetos. Os pobres de antigamente davam exemplo aos ricos de antigamente. O pobre não abortava, o pobre respeitava a Deus, o pobre não se nivelava à “evolução” e ao “progresso” dos abastados. Os pobres eram a grande conquista da Civilização. Os pobres eram civilizados, elegantes e dignos. Hoje, como está a situação? A casa está encardida, o mato cresce na calçada, imundície pelos quatro cantos, calça de jovem de 16 anos custando mais de R$ 300. Tudo é muito complexo, mas muito sujo. Tudo é muito caro até, mas muito desorganizado. Palavrões se dizem aos borbotões a ponto de se crer que a língua pátria é constituída apenas de grosserias e imprecações. Todos têm diploma do fundamental, do médio e, não raramente, do tal democratizado e burríssimo ensino superior. Todo mundo passa o dia em frente à tv e batendo os dedos lisinhos na tela do celular. Essa gente se estufa com bolachas, salgadinhos, refrigerantes e com toda e qualquer porcaria comprada a preço de banana (da banana, muito melhor, que não comem porquê deram Coca-Cola na chuquinha e chocolate na papinha desde cedo pros pirralhos) no supermercado. Reclamam de andar um quilômetro e meio para levar os filhos na creche e na escola, com professores à beira da depressão por terem que criar e educar os filhos dos outros enquanto os próprios passam muitas vezes o dia sozinhos. Vão morrer, hoje ou daqui uns anos, estirados solitários nas macas de hospitais superlotados, com um ou outro descendente com muita má vontade pagando a conta do sepultamento. Hoje, salvo as poucas exceções de sempre, os pobres estão iguais aos ricos. O igualitarismo, pelo qual as ideologias fizeram correr rios de sangue? Ei-lo. Os filhos da pobreza e os filhos da riqueza deram pseudo-fraternalmente as mãos para pularem juntos no abismo da barbárie — a liberdade de ser lixo. Choremos, todos, por nós e por nossos filhos.

1554. Lei universal: você nunca vai sair da casa da sua avó de estômago vazio num domingo.

1555. Uma coisa legal em se andar a pé pela cidade num domingo de manhã: você vai sentido os cheiros que emanam das cozinhas, do almoço das famílias. Vida boa.

1556. Esse som das gotas de chuva na calha e no telhado pacifica a alma.

1557. Nós precisamos ser mais amorosos.

1558. O coach que dá aulas sobre como ficar rico é no máximo classe média. A coach de relacionamentos tá no terceiro casamento. O coach de empreendedorismo nunca administrou uma empresa. Ensina sucesso e não é bem sucedido? Pô, tô achando que coaching é o novo refúgio dos pilantras, velhacos, similares e congêneres que antigamente aplicam o golpe do conto do vigário…

1559. O Cristianismo não é de Direita, nem de Esquerda ou de Centro. Cristo não é fantoche de dogmas reacionários, revolucionários ou moderados. A Verdade não cabe numa cartilha político-partidária comprometida em resolver o mundo pelo mundo e em redimir o homem com o homem. Burke, Marx e Oppenheimer não são profetas. “A Riqueza das Nações” de Adam Smith, “A Revolução de Outubro” de Trosky e “Economia Dirigida e Economia de Mercado” de Müller-Armack não são Escritura Inspirada. Nossa religião não se ergue em palanques, mas no silêncio dos altares. Nosso Deus não discursa em comícios, mas na reverência dos púlpitos. O Cristianismo não pertence ao rito iniciático da afiliação partidária, mas à Filiação Divina. Maldito o homem que quiser encadernar Deus no seu credo de César. Seja anátema o filho de Adão que ideologizar o Todo-Poderoso!

1560. O diabo conhece suas hipocrisias. E uma das diversões dele é fazer você cair no pecado que você condena nos outros.

1561. Atraso é desrespeito pela espera do próximo. Não cumprir horário delimita o caráter.

1562. O pecado sempre trará tristeza.

1563. O mundo era melhor quando as famílias iam sentar na calçada à noite pra papear…

1564. Há coisas profundas e gloriosas para se conversar. Para quê, então, fofocar sobre a medíocre existência alheia?

1565. Triste situação a dum mundo onde o pai dá cerveja do próprio copo ao filho de 6 anos, mas sequer lhe ensina a ajoelhar-se e orar o Pai Nosso… Quanto sofrimento poderia ser evitado no futuro se hoje, no presente, os pais se dedicassem mais e amar e disciplinar amorosamente sua própria descendência. Menos presidiários, menos criminosos, menos pecadores…

1566. Uma das coisas mais nojentas da vida é se aproximar de alguém com base em supostas inimizades mutuamente compartilhadas: “toca aqui, temos ‘desafetos’ em comum!” Procedimento vil, indigno, pecaminoso. Vade retro.

1567. Roubar é errado. Mas tem gente roubando comida porquê tem gente que não divide o pão… Abismo invoca abismo. Sem amor, os farelos, o pecado, a fome e o desespero se misturam. Como julgar com severidade um homem faminto?

1568. Olhe nos olhos, do fundo da córnea até chegar no profundo da alma. Está tudo lá.

1569. Qual será seu legado? Passar a existência mastigando, cagando, dormindo, copulando? E os sabores? E os sonhos? E o amor? São 24 horas e todo o dia nessa mesma “vibe” de comer porquê o estômago exige, de defecar porquê o intestino manda, de roncar porquê o cérebro ordena, de transar porquê a líbido impera? Quando você irá se sentar à mesa e apreciar o gosto do prato servido? Quando você irá comprar papel higiênico e perceberá humildemente que seus movimentos estomacais o igualam aos orangotangos? Quando você dormirá para recarregar as baterias e ser produtivo no dia seguinte e não apenas para gastar energia à toa outra e outra vez? Quando você aprenderá que a alma é a suprema zona erogênea? Legar carne, gordura e ossos ao cemitério até os cães o fazem. Você quer mesmo se entregar à entropia? Quer ser corroído, carcomido, puído pelo tempo e só, e só e mais nada além de ir pra vala comum do nada?

1570. Não se deve gastar sequer um segundo com aquilo que não pode durar para sempre.

1571. Seja você mesmo. É o segundo melhor conselho para a vida. O primeiro: tenha Jesus.

1572. Vingança é o jeito do diabo destruir tanto o ofensor quanto o ofendido. Não é justiça. É mal.

1573. Um dos segredos da alegria permanente: não reclamar dos acontecimentos. Tudo nos instrui, tudo nos ensina, tudo nos aprimora, tudo tem propósito. Nada é em vão. Nada é à toa. Não murmure.

1574. Tudo neste mundo é ilusório, superficial, passageiro. Só Cristo é real, profundo e permanente. Não desperdice sua vida com as mediocridades, com as coisas vãs e sem valor. Não gaste suas forças, não empenhe suas energias com as bobagens douradas que o mundo vende como indispensáveis. Só Cristo pode fazer com que sua vida tenha sentido para além das misérias e falatórios do dia-a-dia e do dia após dia. Não se iluda com o verniz transitório daqui da terra. Olhe para ao Céu.

1575. A reciprocidade é a pedra-de-toque de qualquer relacionamento. Se você vive assoprando a fagulha para manter o “fogo aceso” num deserto de gelo, você não é insistente: você não tem dignidade. Se você faz carinho em pele que te é alheia, você não é persistente na relação: você não tem auto-respeito. Se você mima com o presente da sua presença quem mal te dá as caras, você não é obstinado: você é teimoso em se degradar afetiva e moralmente. Seu amor, seu carinho e sua dedicação são tão inférteis quanto infelizes. Tenha brio! Em tudo é indispensável que o interesse seja mútuo. Não há amizade de um só amigo. Não há casal de um só par.

1576. Ouça o conselho de quem te quer bem. Ouça ainda mais se ele for duro e te contradizer. Inimigos disfarçados costumam ter fala mansa e ponderada. Amigos perdem as estribeiras e te sacodem até o tutano da alma. Não rejeite a correção de quem te quer bem, porquê a adulação de quem te quer mal via de regra é aceitação: teus inimigos aceitam tuas falhas porquê sobrevivem delas. Durma com os passarinhos para acordar cantando, não com os morcegos para acordar de cabeça para baixo. Para comer manjar, ande com gente decente; senão mastigará farelo com os porcos… Ouça. Ouça e pense. Ouça e aja.

1577. Seja rejeitado na terra, mas seja aceito no Céu.

1578. Deus não nos deixa enganados.

1579. Amor é por liberdade, nunca por necessidade. Amores de necessidade produzem escravidão. Amor é uma escolha livre de quem se basta e não quer apenas completar o cálice (porquê já está completo), mas sim transbordá-lo permanentemente.

1580. As crianças brincavam na rua e lá ralavam os joelhos, jogavam bola e bolinha de gude, empinavam pipa e giravam pião. A vida infantil se passava entre o quintal e a rua. Quarto e sala eram só pra assistir tv à noite e pra dormir também à noite. Hoje, a molecada está sendo criada hermeticamente na bolha dos cômodos da casa sem arranhão e sem merthiolate, só com internet, video-game e celular — só com as abstrações do mundinho interno; sem a realidade dura, nua e crua do mundão externo. Os pais criam os filhos do lado de dentro como se jamais seus pimpolhos fossem ter que lidar com o lado de fora. O ocorrido em Suzano é um floco de neve vermelha em cima do grande Everest que vem por aí. A geração dopada por ansiolíticos, hoje no Ensino Fundamental, ainda não mostrou os dentes…

1581. Quão terrível é perder a inocência do coração e tudo enxergar maliciosamente.

1582. O Brasil é um país doente. A política não nos curará. Só Jesus. Só Cristo!

1583. Se você está interessado apenas em beleza superficial, nenhum corpo o satisfará. Se você está interessado apenas em finais de semana, nenhum sábado o satisfará. Se você está interessado apenas na aparência e na rotatividade, nenhum rosto e nenhum segundo serão seus. Seus genitais cronometrarão o gozo e seu amor em nada diferirá da cópula dos chimpanzés. Você comerá da carne mas não se nutrirá da proteína. Você se divertirá na festa mas não aproveitará o tempo. Se você está interessado apenas em estética e “carpe diem”, você não terá a lindeza dum corpo e a eternidade num olhar só seus. Você terá a feiura e o temporário que todo mundo na grande feira e açougue mundano pode ter: a picanha já mastigada por outros cem clientes do restaurante, a diversão já sapateada por outros cem fregueses da boate.

1584. Tudo o que está escondido, oculto, Deus trará à luz. Isto me consola.

1585. Levar com a barriga, procrastinar, ir deixando para mais tarde, enfim, finalmente decidir só quando já se chegou no limite máximo do absurdo intolerável, é não só piorar os resultados e sofrer à toa: é comprometer tudo. Seja firme e decida em tempo conforme o que é reto, por mais que doa. O preço da displicência é alto demais. Deus não envergonha quem lhe é fiel acima de tudo.

1586. Em qualquer circunstância, vale o antigo conselho: “o que Jesus faria?”

1587. O cheiro de café recém-passado é um perfume do paraíso. Não é?

1588. As pessoas estão quase todas desconfiadas: jogando na extrema-defesa, cheias de escrúpulos e precauções uns contra os outros. Ninguém acredita mais em ninguém. Não há lealdade e liberdade para ser sincero. Isto é terrível.

1589. Uma pessoa que não erra, não vive. Uma pessoa que não vive, não erra. Vivamos tentando não errar (em aperfeiçoamento constante), mas sem jamais esquecer que “errar é humano”.

1590. Não tem tempo para aprender um novo idioma: passa horas nas redes sociais. Não tem tempo para ir à igreja: passa horas nas baladinhas. Não tem tempo para cursar faculdade: passa horas com os pés para cima. Não tem tempo para ler um livro: passa horas fofocando. Não tem tempo para visitar os avós: passa horas tagarelando nas esquinas. Não tem tempo para ajudar com as tarefas domésticas: passa horas se arrumando para a gandaia. Não tem tempo para nada: passa a vida tendo tempo para tudo. Você tem tempo sim! — é que você é vagabundo(a). Conselho aos demais: não tenham dó, nem piedade, nem compaixão de gente assim. Não ajudem, não financiem, não auxiliem: vocês só estarão cevando preguiçosos-orgulhosos.

1591. Cristo sendo vilipendiado no Carnaval? Sempre foi. A diferença é que a Gaviões da Fiel explicitou hoje o desde sempre implícito: a quebra da Lei Divina. O vale da carne é isto: afronta a Deus. Não é lugar para cristãos. [CRISTO VIVE, REINA E IMPERA!] 3.2.19

1592. Quer saber se presta ou não? Cristo disse: “Pelos seus frutos os conhecereis.” Basta.

1593. Conselhos para vencer: tenha foco e disciplina, estude tudo à exaustão, saiba sempre mais porquê conhecimento é poder e liberdade, faça o melhor com minúcia e atenção, se esmere além do necessário, analise as probabilidades e calcule o improvável, seja a causa e a ação nos outros e nunca o efeito e a reação dos outros, despreze o fácil, nivele por cima, seja autêntico e aja na verdade, mantenha a consciência reta, produza todo dia e, sobretudo, entregue tudo a Deus.

1594. Se formos companheiros de Cristo na cruz, também o seremos na glória.

1595. O passado é um cadáver. Ficar supondo “e se?” é apodrecer com ele. A vida é hoje.

1596. Se afastar de Deus para se aproximar de alguém é sempre um mau negócio.

1597. Você vive uma vida digna da morte de Cristo? Lide silenciosamente com a resposta.

1598. Quando o juízo de Deus vier sobre os governos deste mundo, todos cairão como dominó. Quem foi Nabucodonosor? Quem foi César? Quem foi Napoleão? Quem foi Stalin? Quem é este Maduro? Quem é qualquer “autoridade” neste planetinha de esquina galática? Governante algum pode nada por si mesmo.

1599. É da natureza feminina as atitudes estranhas e indecifráveis, a mutabilidade repentina “mobile qual piuma al vento”, a esquisitude e o mistério contraditório que semeiam dúvidas em nós para colher certezas íntimas nelas. Se você não consegue lidar com isso e fica irritadão com elas, tentando apalpar lógica racional no escuro sentimental, sinto dizer: você está procurando outro homem, não uma mulher.

1600. Acostumados com o cheiro do perfume dos frascos, como sentirão o da flor do jardim e o da pele que toca a flor do jardim? Acostumados a reagir com emojis aos stories das fotografias “filtradas” do Instagram, como reagirão à imagem crua e nua de carne e osso diante dos próprios olhos? Acostumados com os molhos de chocolate que condimentam o açaí e com o catchup avermelhando tanto biscoito de maizena quanto churrasco, como sentirão o sabor do arroz e do feijão puros da marmita quando forem bater concreto? O artificial está mastigando o amor: o homem está com o olfato poluído pela colônia que lhe colonizou a alma e a exilou do cheiro da vida além-balada; o homem anda incapaz de elogiar com a expressão do próprio rosto a beleza duma mulher e sequer tem palavra adequada para dizer-lhe qualquer coisa que não os adjetivos-padrão que se dão às coisas inanimadas; o homem não tem na língua o gosto da realidade que nutre o corpo nas segundas, terças, quartas, quintas e sextas-feiras de suor. É preciso se desacostumar do artificial — desses artifícios que retiram de nós a arte e o engenho de sermos… naturais: sensíveis às coisas como elas são e não como querem supor parecer ser. A rosa e a morena e o lírio e a loira na mesa nossa do pão nosso de cada dia são bem melhores (mais cheirosos, mais belos, mais suculentos!) que as fragrâncias envidradas, que as imagens digitais, que os paladares fast-foodianos.

1601. Os dentes podem ser alvos de tão brancos e retinhos de tão geométricos, mas se o sorriso não encantar… Por detrás da carne e do cálcio está a alma; e se a alma não transborda para além da boca, não há poesia, não há flores, não há amor.

1602. Alguns poucos segundos podem decidir negativamente todo o resto de sua vida. Deixe-se orientar pela Palavra de Deus e nunca pela conveniência ou prazer momentâneos. A gota d’água que você decide empoçar hoje é o oceano de amanhã. O floco de gelo que se acumula no presente é a avalanche de bolas de neve do futuro. Tenha cuidado. Não troque um emprego estável por aventuras financeiras que poderão te empobrecer definitivamente. Não troque a possibilidade de um casamento abençoado por sexo casual que poderá te macular para sempre. Não troque o médio e o longo pelo curto prazo. Não vale a pena. Não decida em favor do instante do agora apenas pelo pragmatismo da proximidade temporal: tudo passa e, quando passar, se você escolher mal, você acabará passando junto. Tenha cuidado!

1603. Amor não tem nada a ver com palavras bonitas. Amor tem tudo a ver com palavras verdadeiras.

1604. Por mais que o apartamento seja espaçoso, a gente quer é a rede balançando na casa avarandada. Por mais que o McLanche esteja bem feito, a gente quer é o arroz e o feijão da mãe. Por mais que a namorada esteja toda borrifada de Chanel, a gente quer é ela cheirando à própria pele. Por mais que o carro seja V12 e a pista um tapete, a gente quer é andar a pé no meio do mato. Por mais que a os apetrechos das coisas agradem com seu conforto, a gente quer mesmo é o essencial.

1605. Do jeito que está [des]organizado seu quarto, está toda a sua vida.

1606. Se você não for homem o suficiente para sustentar seu caráter diante dum grupinho de colegas (comedores-e-cagadores de feijão) no trabalho ou na faculdade, como espera resistir ao Anticristo quando ele pretender outra vez martirizar os crentes? Se o coliseu das feras faladoras já te faz fugir em covarde desespero, a arena de sangue cruento te mandará para o inferno até mesmo quando a morte for irremediável…

1607. Não haverá amor se, antes, não existir admiração mútua.

1608. Perdoe tudo a todos. É este o caminho do Cristo, custe o que custar.

1609. Não faça nada por alguém caso a pessoa possa fazê-lo por si mesma. Ajudar nem sempre é “fazer o bem”. Se não liberta e ensina, não é bem. É mal disfarçado, porquê condiciona à preguiça e escraviza no comodismo.

1610. As mulheres querem flores, chocolates e cócegas. E o mundo lhes tem dado baforadas, anticoncepcionais e masoquismo. Minha pergunta, moças: até quando vocês vão se sujeitar a isso?

1611. Ou Cristo ou nada. É isto.

1612. Mulher boa não é aquela que se envaidece com um assovio à toa. É aquela que fica vermelha só com o nosso silêncio.

1613. Alguém está aniversariando? Parabenize, dê um abraço e se for o caso até um presente (por mais simples que seja). Talvez você será a única pessoa a se lembrar. Talvez você salvará alguém da tristeza, da mágoa ou da depressão justamente naquele que deveria ser um dia de alegria para qualquer pessoa neste mundo. Todos merecem que seu aniversário seja lembrado. Todos querem ser queridos. Seja gentil.

1614. Podem ficar com Nutella e demais frescurites. Eu gosto mesmo é de paçoca.

1615. Não tema parecer ridículo. Tema não ter coração.

1616. É terrível, mas não são poucos aqueles que só se encontrarão consigo mesmos na velhice, se acabando na cama do hospital, quando tudo estiver perdido, quando nada puder ser desfeito.

1617. Quanto mais íntimo o relacionamento, menor a necessidade de provas. Idem com Deus. Quanto mais íntimo nosso relacionamento com Ele, de quase nada ficam valendo os argumentos da Apologética. A lógica e a razão da mente se dão bem com idéias. Deus não é uma idéia; é uma pessoa, com a qual relaciona-se: por isto, é no coração que temos a mais forte, potente e profunda certeza.

1618. Na igreja você não tem que agradar ao rebanho; tem que agradar a Deus. No casamento você não tem que agradar ao cônjuge; tem que agradar a Deus. No governo você não tem que agradar ao povo; tem que agradar a Deus. Na amizade você não tem que agradar ao amigo; tem que agradar a Deus. Se você agradar a Deus, a igreja se manterá, o casamento se manterá, o governo se manterá, a amizade se manterá. Agradando a Deus, você estará sob suas leis e então agirá sempre bem e Ele tratará de sustentar tudo para você. Desagradando a Deus para agradar a congregação, o esposo, a multidão e o colega, você perderá sua fé, seu matrimônio, sua posição e sua amizade. Desagradando a Deus, você perderá sua alma e com ela perderá todo o resto. “A escrita já está na parede”, diz a Escritura.

1619. Tenho percebido que muitas das pessoas que nós taxamos genericamente de “preguiçosas” na verdade são indivíduos que estão de certa forma tristes. No fundo, o dínamo da alma está desenergizado por certa depressão: ela não se mexe porquê simplesmente não tem ânimo para nada. Nem todo vagabundo o é no plano moral. Às vezes, é espiritual.

1620. As pessoas se vendem por farelos porquê biologicamente têm fome e estômago, mas não têm o paladar seletivo do espírito. Mas se você amar a Deus e “jejuar” do pão que o diabo diariamente amassa e assa (para te tentar) enquanto você está no “deserto”, Ele te dará não só um pão inteiro, mas a fornada e o forno e a padaria e o trigal todo! A vida com Cristo vale a pena.

1621. Nunca se esqueça de quem estava consigo enquanto os outros inventavam desculpas.

1622. A moça toda emperiquitada e o rapaz todo bombadão tiram selfie tendo ao fundo o chiqueiro insalubre que eles chamam de quarto. A realidade fedida do dia-a-dia versus a superficialidade imagética das redes sociais. Estava certo o caipira: por fora bela viola, por dentro pão bolorento.

1623. Cerque-se de puxa-sacos e você acabará castrado. Quem o lisonjeia excessivamente quer retirar sua força e vigor para que, quando o for apunhalar, você não seja capaz de reagir. De adulação em adulação, a galinha perde o pescoço. O puxa-saco ensaca a terra do buraco que ele mesmo abre para sua sepultura. O puxa-saco massageia o músculo do ego para que mais tarde a lâmina do punhal entre mais suavemente no tecido do coração. Não é à toa o ensinamento de Santo Agostinho: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem.” Coisa terrível, porém, é quando quem puxa o saco é moralmente indistinguível de quem tem o saco puxado: então, a merda abraça a bosta e tudo são fezes.

1624. Se você tem avós vivos, visite-os sempre. Vá bater papo, leve uma comida gostosa e dê atenção. Se você não tem, sempre tem algum velhinho gente boa na vizinhança de quem você pode ser amigo. Você vai aprender muito com a sabedoria deles e, de quebra, vai exercitar amor. Vale a “pena”.

1625. Mente desorganizada = vida sem propósito. Tudo começa aí nos seus miolos: se as coisas não estão em ordem com eles, seu quarto estará anarquizado, sua mesa de trabalho bagunçada, sua vida confusa. Arrume sua mente com datas e tarefas para a regularidade e com horários e orações para a disciplina, e então você perceberá que até nas coisinhas menores do dia-a-dia sua vida ganhará significado.

1626. O mundo era melhor quando nossas avós cozinhavam com banha de porco. Eu acho.

1627. Se você olhar para o céu estrelado toda noite, o brilho das estrelas se apegará à sua retina, iluminará a cor da sua íris e nunca mais seus olhos perderão a direção do céu. Quem levanta a cabeça para o que está acima, levita sobre a terra e tem debaixo dos pés todas as trivialidades do mundo.

1628. Seja bom, não bonzinho. O bom diz não. O bonzinho só diz sim. Tenha dignidade.

1629. Triste história: Conversei com uma professora, do Ensino Médio, num escritório em Catanduva. Ela não sabe que fevereiro não tem 30 dias, não sabe discernir as fases da lua no céu, não sabe que o nosso calendário é o gregoriano e é solar. Ela é professora de Geografia. Fui olhar o Facebook dela: contei quatro frases do Paulo Freire, vi seu orgulho manifesto em ser pedagoga e um ou outro pedido por salário mais alto, notei um sério problema com a Língua Portuguesa… Isto é mais comum do que vocês pensam. Isto é triste. Isto é perverso com ela (que se crê preparada para ministrar aulas) e com seus alunos (sobretudo, com aqueles dois ou três que realmente se importam com a vida e, por isto, com as aulas). O buraco da questão educacional é bem mais embaixo.

1630. Se você não molha seu pão com manteiga no café, não sabe o que é bom na vida.

1631. Um escritor velhinho acaba de dar seu último suspiro no hospital. Um acidente matou uma família inteira neste instante. Uma bala perdida acertou agora um bebezinho de dois meses. Um ônibus lotado de turistas caiu há pouco dum penhasco. São as notícias do momento no jornal. A morte está ceifando pequenos e grandes por toda a parte. Ela não pára, ela faz hora-extra, ela mastiga a humanidade. E você está aí, inconsequente, vivendo a vida loucamente como se não tivesse que prestar contas dela a Deus…

1632. Um conselho que pode te ajudar muito na vida: compre um caderno grande e diariamente tente se descrever. Pontos fortes e fracos, traços positivos e negativos, virtudes e hábitos e vícios, etc. Uma anamnese espiritual. Um diagnóstico no qual você é médico e paciente. Seja sincero ao máximo, cru e até cruel. Fique nu e, mais que com os próprios olhos, registre isso no espelho da consciência refletida no papel através da caneta. Todo o dia, se note e depois anote. Todo o dia, se descreva e depois escreva. Para cada questão narre também minuciosamente (calculando racionalmente suas possibilidades reais) uma solução, um caminho pedagógico a tomar. Você é nesta vida seu maior desafio. Você é escultor de si mesmo. Começar a por as coisas na ponta do lápis, preto no branco, é um bom começo. Compre um caderno e seja você mesmo o escritor inspirado e o crítico ferino desta sua obra magna: você. Você saberá mais sobre si e, então, muito mais sobre como agir retamente neste mundo tenebroso sem abdicar da sua alma. Compre um caderno. Trabalhando nele, você trabalhará em si mesmo.

1633. Outro desastre. Mais mortes e lágrimas. Outra comoção pública que vai passar e logo será esquecida. Brasileiro: povo passional na hora do pranto e do ranger de dentes, mas de memória curta na hora de mudar o que precisa ser mudado. Que este desastre não seja em vão, como foi o de Mariana; que o ocorrido agora pouco em Brumadinho não seja em vão… E que Deus receba os mortos e console os vivos. [25.1.19]

1634. Nunca seja um maria-vai-com-as-outras. Se tiver que discordar e enfrentar, discorde e enfrente. Guarde sua consciência contra tudo e contra todos se necessário, mas não seja bunda-mole.

1635. No mesmo dia a mocinha reclama da Educação no país e passa a tarde discutindo no Facebook sobre não-sei-o-quê do Big Brother Brasil. Eu já vi padre na churrascaria em plena Sexta-Feira Santa e já vi professora de Língua Portuguesa comendo meia dúzia de plurais numa redação, mas tá pra nascer gente mais hipócrita que esses adolescentes ideologicamente engajados que poluem o feed aqui desta redinha socialzinha.

1636. A covardia é o mais detestável defeito que pode haver num homem.

1637. Uma moça me pediu, in box, para falar sobre a artificialidade dos relacionamentos neste nosso mundinho pós-moderno. Creio que um trecho da resposta que dei cabe ser publicada aqui: — Não entrar no “piloto automático” é nosso primeiro dever quando estamos tomando o controle do nosso eu e, por isto, tratando de nos auto-conhecer. Não só estar consciente, então, mas querer cada palavra, cada movimento, cada gesto e fazer com que eles sejam exteriormente coerentes e adequados ao que decidimos interiormente. Quanta gente conversa por gatilhos, dá risada por gatilhos, existe por gatilhos — ações e reações cíclicas, causas e efeitos sistemáticos, que vão e que voltam sob os disparos de padrões cognitivos insensíveis à realidade. Primeiro você se força a rir, por “educação”, da piada sem graça; depois, habituado à falsidade, você ri de qualquer coisa quando na sua mente pisca o alerta “é hora de rir!”. Você começa com pequenas doses de inadequação (reações não geradas pelo julgamento crítico do ambiente que está te afetando, mas por uma vaga e dispersa informação que diz “vou poupar esforço e… para não me gastar ou desgastar, direi assim, me movimentarei assim, agirei assim”. Uma estrutura robótica, em verdade. Equações de carne e osso. Marido e mulher que passam anos no piloto automático, p.ex. Tudo vira rotina, porquê nada do dito e do feito é genuíno, mas puramente habitual num looping de repetições que isolam as pessoas umas das outras e que ainda mais as afastam no plano dos pensamentos e sentimentos, vez que a realidade interna não se manifesta e o relacionamento em muito pouco difere do relacionamento que o hamster mantém mecanicamente com sua roda. Aliás, perde-se a organicidade da consciência para funcionar como um software por si mesmo programado. Mas às vezes, de repente não mais que de repente, alguém retoma um pouco de consciência sobre a própria vida e foge, e deixa tudo, e… comete alguma barbaridade! Não entrar no piloto automático é reviver em si a imagem e semelhança de Deus. É por isto, e só por isto, que o santo é o homem mais livre. Ele não é um joão-bobo ou um boneco biruta de posto “levado em roda por todo o vento” (Efésios 4:14). Ele é em si mesmo seguro de ser quem é — de falar e calar como quiser, de agir e reagir como quiser, de se movimentar dentro e fora como quiser. No início, é um esforço hercúleo prestar atenção no próprio estado de espírito em todos os “tim-tim por tim-tim” da nossa peregrinação ordinária e extraordinária sobre a terra, mas, uma vez consciente, a gente entende que tal compensa qualquer ônus humano, sobretudo o de parecer “sincero demais” aos olhos dos outros…

1638. Por que alguém se envergonharia do Evangelho, da própria fé? Por que alguém esconderia seu Deus dos seus amigos, colegas e conhecidos? Você acredita que as crenças deles são superiores à Verdade revelada e que as Boas Novas são menores que suas ideologias de direita, de centro e de esquerda? Por que você discute o imante partidário das utopias terrenas e nunca lhes diz nada acerca da realidade do Céu? Por que você fala do Bolsonaro, do Amôedo e do Lula mas não fala de Cristo? O papo de boteco, variando de futebol a sexo, vale menos que o sermão da igreja falando de filhos e amor? Horóscopo do João Bidú, poker, fofoca de bairro e a última reportagem do Jornal Nacional podem ser tema de papo mas o Nazareno não? Porque você se envergonha dAquele que criou você? Por que?

1639. Em quais condições você pretende apresentar seu coração para seu futuro cônjuge? Todo marcado e amassado pelos contatinhos de dentro e de fora do WhatsApp? Com as artérias espirituais entupidas por sebo luxurioso, com feridas mal cicatrizadas e desejos semi-esquecidos, com traumas inconscientes, projeções e neuroses numa volição doente? Você vai expor sua mulher às risadinhas irônicas da multidão de meninas que já pegou a torto e à direita? Você vai expor seu marido à gargalhada sínica dos galinheiros onde cacarejou? Como você tem guardado seu coração? Ele é uma peça de açougue que qualquer mão pode agarrar e canibalisticamente comer, digerir e defecar? Ele é um órgão meramente fisiológico que cede aos feromônios do momento? No altar de Javé ou diante do juiz de paz: procure, um dia, apresentar não apenas seus votos para um futuro puro e amoroso, mas também seus marcos de um passado e de um presente igualmente puros e amorosos.

1640. Sem motivação ninguém vai para frente. Há muita gente com potencial para mover o mundo que está apodrecendo o cérebro num canto qualquer embolorado da existência apenas porquê não tem quem sente do seu lado e diga um simples “você quer ajuda?” Olhe para quem está ao seu redor. Preste atenção e vai perceber que alguém precisa que você vá lá e desperte o gênio que está anestesiado pelas bobagens da rotina. Motive quem pode ser grande, quem pode ser santo, quem pode ser maior e melhor. Você estará disparando um efeito dominó de graça e redenção que fará o mundo melhor. Se necessário dê uns gritos, uns chacoalhões e ajude alguém a ser gente.

1641. Deseje ardentemente o Céu e a terra te será mais fácil.

1642. Entre o fácil e o difícil, escolha sempre o difícil. Quase nunca o fácil presta. A fruta mais polpuda e saborosa está no último galho pelo influxo da natureza, o ar mais puro está no pico mais elevado, o amor eterno para além do altar está na tensão equilibrada dos desejos conflitantes, o poema mais precioso está nos versos mais doídos no espírito e na métrica, o prato mais saboroso está no cozinhar lento e paciente, a jóia mais bela é a mais filigranada, o caráter mais honesto sangra renúncias. Tudo o que tem valor é fruto de processos de trabalho árduo, constante e decidido. Isto vale à pena. O resto, não. Descarte as facilidades: banana de feira, ar de boate, ficada de balada, música de conveniência de posto, miojo e mclanche feliz, bijuteria de camelot, aparência de virtude. Regra de vida!

1643. É grande a tentação de fazer o mal em benefício do bem. O diabo quando não nos faz cometer o mal pelo mal, enfim, agindo em função mesmo da perversidade, nos quer fazer pecar nos dando bons argumentos para pecar: “conte esta mentirinha para evitar uma briga”, p.ex. Um pecadinho como meio será redimido pelo benefício de seu fim virtuoso, sussurra o tinhoso; ele, que é maquiavélico desde a fundação do mundo. Não caia nesta artimanha aparentemente inofensiva, cheia de boas intenções, de cometer um mal menor para obter um bem maior. Isto não existe.

1644. Abandone as ilusões. Não insista em regar sementes (que você sabe que não vão brotar) só porquê alguém lhe disse que eram sementes das rosas com as quais você “sempre sonhou”. O perfume da ilusão está só aí na sua cabeça; não existe no seu olfato. Não minta para si mesmo. Larga mão de ser bobo: estude a terra, aprenda jardinagem e plante você mesmo o roseiral — com razão e método. Abandone as ilusões antes que você se contente com qualquer espinho machucador só porquê ele é parte da rosa…

1645. Procure resquícios de céu nos olhos de alguém. Quando você neles encontrar centelhas de estrelas, fagulhas de luz eterna, você terá encontrado amor. Não importa a escuridão do mundo. Não importa se as trevas caem densas sobre a terra. Você então sempre terá um par de lâmpadas para te acompanhar em tempestades e desertos. Procure por olhos que fuljam como o sol mas sem queimar, que brilhem como labaredas mas sem machucar, que iluminem ao máximo mas sem cegar. Procure e você encontrará amor.

1646. Se você não tiver em mente que um dia vai morrer, você não vai viver como deve.

1647. De Cristo, a gente pode dizer: virá, eu sei que Ele virá!

1648. Quem troca tudo o que há de grande e fecundo na vida (porquê é difícil) por coisas pequenas e estéreis (porquê são fáceis) está fadado apenas a comer, dormir, fazer sexo e cagar como um animal.

1649. O dia que você encontrar uma mulher em quem possa acreditar e confiar como em si mesmo, agarre-a e nunca mais solte a menina. Coisa difícil. Mas coisa preciosa…

1650. Mantenho a opinião de sempre: governo não deve gastar um centavo com Carnaval, Marcha Para Jesus, Festa do Peão, etc. Nenhum “divertimento” não formativo deve ser alvo de política pública. É dinheiro de imposto que vai para o ralo inútil e imoralmente.

1651. Um pecadão cometido por um iníquo praticamente em nada altera a vida e a rotina dele. Mas um pecadinho de nada muda praticamente tudo na vida dum santo. É como se uma bomba atômica caísse e, então, fragmentasse e desorganizasse tudo. É um desnorteamento e uma desorientação totais. Por que? Porquê o pecador é um homem de partes, e elas funcionam quase que autonomamente; logo, mexer numa parte é só mexer nela — todo o resto continua a funcionar por si, sem maiores sobressaltos e problemas. O santo, porém, é um homem unificado, integral, uno; então, mexer numa parte é mexer no todo — e o todo desaba porquê tudo está nele complexamente ligado e finamente ajustado; e desabando, afeta negativamente a rotina e a consciência dela de cabo a rabo.

1652. Olhe bem no fundo dos olhos das pessoas. Por mais que elas mintam pela boca, você vai fazê-las tremer, vai deixá-las nuas e vai chegar à verdade.

1653. A mãe que divide a pouca comida que resta entre os filhos e vai dormir em jejum é santa. O andarilho que se descobre no inverno para aquecer uma ninhada de cachorrinhos é santo. O político que quer se eleger à custa de cestas-básicas para os pobres é maldito. A empresária que sonega centavos à caixinha natalina do porteiro é maldita. A liberalidade amorosa, a generosidade que tira de si a segurança e retira de si o conforto, é um sinal evidente de santidade. Mais do que nunca estou certo duma coisa: quanto mais se tem, menos se dá; quanto menos se tem, mais se compartilha.

1654. Você pode não entender latim, náuatle, grego, sânscrito, tibetano e aramaico. Mas ouvir um hino numa língua desconhecida é um exercício de mistério. A gente sabe que aquilo ali, aquilo que ouvimos, é um cântico. Sabemos que ali temos um amor louvando o Amor. Mas se por um lado a literalidade dos significados imediatos nos falta, sobra na consciência espiritual a mediação da verdade última das palavras com sua música, do idioma desconhecido numa música algo conhecida (porquê as notas ricocheteiam na alma na mesma fluência cognitiva que une alemães a zulus, mongóis a judeus, tupis a belgas): é belo, é bom, é divino, é beleza, é bondade, é sobre Deus.

1655. Cristão que vive como se o diabo não existisse é como ateu que vive como se Deus não existisse. Abre o olho!

1656. Há na vida duas variedades de dor: a dor que só dói e a dor que modifica. Você estará salvo quando não sentir apenas dor, mas quando aprender com ela.

1657. Uma vida de serviço a Deus e ao próximo. Não há nada mais belo e elevado.

1658. Esta geração de homens é deplorável de tão covarde. Nunca vi tantos bundas-moles borrando as cuecas diante das mínimas adversidades. Incapazes de defender seus lares, suas igrejas, suas próprias vidas. Incapazes de honrar suas famílias, seu Deus e… sua honra. Incapazes de erguer a voz em defesa do justo, do certo, do nobre. Incapazes de fazer frente aos maus, incapazes de deter os males, incapazes de serem bons ativamente contra o mal. Incapazes. Não são audazes, não são valentes, não são destemidos: são maricas, são assustados, são tímidos. Vocês são uns bostas, escondendo-se debaixo da cama enquanto o mundo sucumbe. Vocês são frouxos e medrosos, não dando a cara à tapa e a soco por medo de perderem comodidades tão infantis quanto infernais. E são “cristãos”? Pior, muito pior! Nós não fomos chamados para viver como os outros homens vivem, dispersos entre futilidades e confortos vãos: nós somos convocados à luta, à guerra, à peleja por uma causa eterna, por uma bandeira celeste que é desconhecida na terra. Onde está sua varonilidade? Onde está seu valor e sua espada? Onde está seu coração e seu caminho? Onde está seu espírito e seu sonho? Onde está sua hombridade? Saibam disto: vocês não são homens!

1659. Amor que não faz querer morder como se quer morder a bochecha dos nenéns não é amor.

1660. Ingenuidade é uma coisa bonita. Mas excesso de ingenuidade ou é retardo mental ou é velhacaria do mais alto nível. Tomem cuidado com os “inocentes patológicos”. Se eles não vêem nada, vêem muito; e se vêem muito, eles cegam muito os outros.

1661. Excesso de redes sociais = falta de redes neurais. Não sei se você já percebeu, mas quando se gasta muito tempo com este tipo de “comunicação”, se gasta muito tempo disperso: horas fracionadas entre mil coisas difusas, de modo que o cérebro não se concentra em nenhuma delas por tempo suficiente para digerir a própria informação por completo (que não é apreendida, então). Você emburrece porquê fica incapaz de focar sua atenção; e atenção é a pedra-de-esquina da memória, que é o alicerce do conhecimento. De novo: você emburrece.

1662. Os mais perigosos são os mais covardes. Quanto menos dão a cara, mais apunhalam pelas costas.

1663. Dê o seu melhor. Faça o melhor possível. O melhor feijão cozido. O melhor poema escrito. A melhor troca de pneu. A melhor música ensaiada. O melhor: o superior, o minucioso, o detalhista, não sendo perfeito pela impossibilidade intrínseca mas almejando à perfeição pelo esmero e pelo cuidado em fazer o melhor. Seja excelente, ainda que, como diziam os romanos, “ad augusta per angusta” | “o elevado através da angústia”. Seja melhor e, com humildade, tente ser o melhor em tudo o que fizer. Não por você, mas para honrar e glorificar a Deus com seu empenho, com seu zelo, com sua ação no mundo que Ele criou justamente para que você fosse imagem e semelhança dEle. Dê o seu melhor e você será melhor. E então seu tempero no paladar, seus versos no coração, seu automóvel na estrada e seu canto nos ouvidos serão recebidos no Céu como pura adoração!

1664. Se você sente que esta aqui não é a sua época e que deveria ter nascido em outra era, em tempos mais “antigos”, só lhe digo uma coisa: é sua missão trazer aquilo que havia de bom por lá para cá, para hoje. Saudosismo daquilo que nunca se viveu mas se sabe bom implica na missão do resgate, da restauração, da substituição contra aquilo que no contemporâneo é mau. Não se trata de reacionarismo ou de culto ao passado, mas de retirar lá dos escombros do pretérito as colunas que podem sustentar o futuro a partir do agora. Seu modelo de amor está um pouco cristalizado nas canções e trovas do século XIII? Seu paradigma de arte está de alguma forma circunscrito no talhe clássico do Renascimento? Seu arquétipo de vida tem na estética e na ética daquilo que já se foi e já não é o ideal? Trata de cultivar estas reminiscências no seu espírito e, depois, derramá-las sobre aqueles que lhe cercam. Você foi vocacionado para a recuperação de valores nobres, para o levantamento do marco que, no Caminho Antigo, conduz à Eternidade. Não se sinta peixe fora d’água quando são os outros que abdicaram até do aquário e tentam a todo custo nadar nas dunas quentes do deserto pós-moderno. Esta é a sua época!

1665. Nós não entendemos o porquê de muitas coisas nem mesmo quando nós somos formalmente os artífices delas. Misterioso, esquisito, inexplicável, completamente louco aos olhos da razão humana. Nós não compreendemos o motivo profundo das ocorrências até que, poeira baixada, nós olhamos para o quadro geral de confusão e vemos, surgindo do caos e da escuridão, a mão de Deus nos obrigando a tomar o rumo dEle, o caminho originalmente traçado para nossa vida. Então, nós abrimos os olhos! Então, a luz ilumina e o óbvio fica patente: o lugar não é este, o momento não é este e nós também não somos isto! O Senhor é soberano sobre tudo e sobre todos: é o autor da nossa existência e o escritor da nossa biografia. Que esta verdade nos console.

1666. Se você olha para si e seus pecados não o deixam desesperado, se preocupe!

1667. Nós precisamos aprender a depender de Deus, não das certezas confortáveis, não das estabilidades, não do bem-estar que torna a alma preguiçosa. Chacoalhões na vida servem para isto: para nos acordar do sono letárgico das comodidades que aprisionam o espírito. Isto a que você chama de dificuldade, de sofrimento, de dor e de provação não é um estorvo existencial: é a condição divina para que você tenha a vida de um ser humano completo e livre das bobagens do mundo. Por isto, repito o que há algum tempo tenho dito: Deus vai tirar de você aquilo que te prende às coisas mesquinhas e vis. Você tem que aprender que só Ele basta.

1668. Isto aqui é a famosa “apoteose” dos gregos. Notem como os ápices do fragor popular casam-se justamente com os estampidos dos canhões e com a percussão do hino. Há uma harmonia muito precisa entre os gritos das gentes, a artilharia e o toque musical dos bumbos e caixas. É uma cena mítica que raramente conseguimos ver e ouvir no Brasil. Uma aula de Sociologia. Refaço Homero: “Canta-me, oh Pátria, do peleio Capitão / A ira tenaz, que vivaz aos brasileiros, / Verdes no Planalto lançou milhões fortes almas.” (Comentando as honras militares recebidas pelo Presidente da República na sua posse)

1669. Tenha amigos de verdade, amigos do peito. Eles são poucos, mas são indispensáveis.

1670. Sonhos grandiosos sempre almejam coisas em si muito simples e “pequenas”: família, amor, felicidade. Sonhos pequenos é que desejam coisas complexas e “grandiosas”: dinheiro, fama, poder. Sonhos pequenos nem sonhos são: são ilusões das mais bestas, miragens de nada com nada. Se você sonha com estas coisinhas bonitas e singelas e não está nem aí para estes excessos tão supérfluos quanto inúteis, você está no caminho certo. Continue a sonhar com suas miudezas de carinho e esperança: Deus vai te ajudar a tocar em frente.

1671. Há um céu por conquistar. Melhor tirar um pouquinho os olhos da terra.

1672. Perde-se a alma por ninharias… Ganha o diploma e vira doutor, mas perde a alma. Ganha a fortuna e vira milionário, mas perde a alma. Ganha a eleição e vira deputado, mas perde a alma. Ganha o título e vira campeão, mas perde a alma. Ganha o gozo e vira garanhão, mas perde a alma. Ganha o mundo inteiro, mas perde a alma!

1673. Tudo o que é grandioso se constrói em silêncio. Planeje, organize, trabalhe em silêncio. Depois, espante todo mundo.

1674. Existe uma felicidade que transcende qualquer sofrimento: a certeza do propósito da dor através do amor de Deus.

1675. Acredita que a paternidade submete o homem, mas tudo bem ser babá cervejeiro dos colegas. Acredita que a maternidade escraviza a mulher, mas acha legal ser mãe de pet viciada em Rivotril. Acredita que namorar, noivar e casar é anacronismo patriarcal, mas tem ciúme da amante e chora ouvindo música sertaneja romântica. Vocês estão esquizofrenicanente fodidos.

1676. Não seja mole. Seja duro consigo e o mundo será moleza. Sobreviver arrastado é para animais. Viver é para quem aceita o próprio espírito e escala o universo por suas potencialidades. Não seja molenga. Seja rigoroso consigo e os muros mundanos serão gelatina atravessada pela sua alma.

1677. O número de pessoas nas quais você pode realmente confiar é mínimo de tão minúsculo. Julgue e analise cada um daqueles que lhe cercam. Depois separe-os seletivamente, dando a cada qual o seu lugar e o seu valor. A quem honra, honra. A quem lixo, lixo. Não seja tolo: se o número dos seus “amigos do peito” supera o dos dedos de uma só das suas mãos, há algo de muito errado com o seu julgamento moral.

1678. O poder é um fato da personalidade. Não só esta posse presidencial, mas a História toda prova que a conquista e a manutenção do poder depende da força e da autenticidade pessoais do “príncipe”. De Nabucodonosor a Bolsonaro, eis o fato: o poder emerge do dínamo de uma personalidade capaz de organizar e dar rumo seguro aos anseios populares; “ferro e barro”, na linguagem bíblica. Anotem isto. [contexto: regimes onde o poder seja exercido a partir de indivíduos — comentário a posse presidencial 1.1.2019]

1679. Três simplórios (mas muito eficazes) conselhos: I. Organize sua mente — saiba como e sob quais condições você pensa e o porquê de pensar assim ou assado. Esteja no controle do seu habitat imaterial e metafísico para que ele desempenhe suas máximas potencialidades; II. Organize sua casa — tenha tudo no lugar, mantenha ordem no seu mundo material mediato e imediato. Esteja no controle do seu ambiente físico para que ele funcione existencialmente, ou seja, não atrapalhe sua mente; III. Organize sua vida — tenha os rumos dela em contínua compreensão, com planos A, B, C e… Z em função dos fins que você almeja. Esteja no controle dos propósitos que exigem harmonia entre físico e metafísico: seu presente e futuro acontecem nesta junção.

1680. Estejam conscientes de que vamos criar filhos ingênuos para um mundo malicioso. Saibam que eles serão bobos diante da esperteza dominante, que eles serão inocentes num meio velhaco, que eles serão ovelhas entre lobos. Mas… ainda assim, nós colocaremos no mundo meninos e meninas que serão homens e mulheres honestos, regrados e de olhos brilhando do berço à sepultura. Teremos filhos que vão sofrer mais do que nós e nossos pais sofreram, porquê o caminho estreito ainda mais se estreitará. Mas a terra ainda terá em si plantada um pouco da carne e do sangue que foram feitos para o Céu.

1681. Quem faz as contas de perdas e ganhos quando deve decidir sobre certo e errado, já se decidiu moralmente pelo errado. Uma pessoa digna sempre decidirá pelo certo, ainda que cortando na própria carne, ainda que sendo tomada por “errada.”

1682. Não há salvação com idolatria. E nós temos as nossas pequenas idolatrias, nossos ídolozinhos. Temos que perdê-los ou vê-los de alguma forma perecendo para não nos apegarmos a estes “amuletos da existência”. Você gasta horas polindo seu carro? Uma batida na esquina vai colocar a lataria dele no lugar devido no seu coração. Você exibe para os outros ou para si mesmo seu novo iPhone? Ele vai cair na piscina ou a tela vai se partir todinha no chão. Você olha em demasia para seu novo relógio? Ele vai ganhar meia dúzia de riscos profundos na caixa. Você se jacta da sua coleção de livros, vinhos ou bibelots? Uma página vai se rasgar e uma gota de café (ou a garrafa toda) vai manchar a obra magna; uma criança vai derrubar as safras intocadas de 1961 e 1989; um cachorro vai pular sobre a cristaleira: todos instrumentos de Deus para lhe afastar daquilo que não é essencial, daquilo que não é a Realidade, daquilo que lhe afasta das coisas do Alto. Você precisa perder seus ídolos e ver o quanto eles são frágeis. E você vai perdê-los todos, um a um.

1683. Moços e moças: não desvirtuem sua fé em nome de carências e choramingos sentimentais.

1684. Quanto mais vagabundo, menos tempo se tem. Só escuto a clássica desculpa “eu não tenho tempo pra nada!” saindo da boca de gente que não está nem aí para nada. Os trabalhadores ou já estão cheios do que fazer ou espremem o tempinho sobressaliente para dar um jeito de acrescentar mais uma tarefa à vida. E eu não estou falando de trabalho-profissão: estou falando da ação humana que produz grandeza, seja ela abstrata como um tratado filosófico ou concreta como um concreto bem batido. O filho-da-mãe vai morrer centenário sem ter produzido sequer uma flatulência mais cheirosa sobre a terra! Isto não é terrível? É terrível. Esta geração está no bico do urubu!

1685. Gaste e desgaste sua vida por algo que vale a pena (casamento e família) para que um dia, quando você estiver velhinho, seja seu filho ou seu neto quem lhe dê a última colherada de canja quente e bem temperada antes de você se encontrar com Deus. Temo por vocês que morrerão solitários no asilo ou no hospital, amparados pela fria obrigação profissional de um cuidador ou de uma enfermeira e pelo gosto ralo da sopa morna e sem sabor do desgosto…

1686. Nunca ocupe um lugar que qualquer outra pessoa poderia ocupar. O chão e o galho são para qualquer ave, mas o pico da montanha pertence à águia. As pombas, os pardais e os abutres dividem presença no mesmo solo em qualquer lugar do planeta. Mas quem sobe e plaina sobre o cimo do Everest? O que é só teu tem a medida exata do teu espírito. O que é para qualquer um, cabe em qualquer um. O homem ordinário em tudo se iguala aos outros. Mas o homem que arrasta após si as gentes diverge, diferencia, desiguala: ele afirma a força da própria personalidade e constrói com Deus o seu lugar no mundo.

1687. Se alguém preparou sua comida gratuitamente, elogie e fique grato. O gosto na sua língua pode não ser o melhor para o paladar, mas a palavra na sua língua tem que ser de gratidão por quem tentou lhe agradar. Não seja imbecil.

1688. Toda mulher, da mais santa à mais iníqua, tem o desejo da aventura no coração. Desejo legítimo. Portanto, trate de ser um pouco Dom Quixote, um tanto 007 e um quanto Indiana Jones. Depois não fique por aí (e por aqui) reclamando se um Frestão, um Dr. No ou um Belloq levar a morena para brincar de tiro-ao-alvo nalgum moinho de vento jamaicano. Dispierta, fierro!

1689. Uma dica: aplique as técnicas lógicas de investigação policial aos fatos importantes da sua vida, sobretudo aos mais nebulosos, aqueles que você ainda não chegou a compreender bem. Componha cenários, agentes, descrições, modelos, enredos, objetos e ambientes. Anote tudo, minuciosamente. Desenhe as hipóteses e construa as teorias. Você vai se surpreender com os indícios, rastros e evidências de outras realidades que estão por detrás dos acontecimentos da sua existência.

1690. O sono não só descansa o corpo: ele purifica e desembaraça nossa consciência. Não é raro que eu acorde de repente tendo os meus “eurekas!” — conclusões certeiras e límpidas sobre as coisas e as pessoas; conclusões que, acordado, talvez eu não atingisse em nível de compreensão, argúcia e racionalidade. Quem realmente se importa com a existência trata dela consigo mesmo até quando ronca. Dorme e pensa. Pensa e acorda. Acorda, repensa e faz. O sono esclarece a psiquê, ilumina a vigília do inconsciente, anima a alma à realidade.

1691. Nada substitui um arroz e um feijão bem feitos. Mais dois ovos fritos e uma banana e a refeição está completa. Comida na roça é comida de verdade, porquê o melhor tempero é a fome que se segue ao trabalho.

1692. Que o teu sim seja o teu sim. Que o teu não seja o teu não. Isto basta.

1693. Tenho uma teoria. Esta: A verdade não é mera descrição formal da realidade. Ela é sua própria força de manutenção. De modo que a mentira, então, não é uma simples oposição abstrata à tal descrição: ela é um enfrentamento energético, adverso e dialético à toda a estrutura do real. Cada vez que uma mentira é contada, uma tensão comprime e desestabiliza a própria realidade, deformando-a temporariamente. Esta tensão, porém, cria uma força de recuo e oposição, como numa mola, cuja potência necessariamente contra-avança em direção à mentira a fim de rearmonizar e reequilibrar a realidade. Esta restabilização é, não raro, explosiva, traumática e, nas palavras do Evangelho, “causa de escândalo.” Por que? Porquê, como dizem os franceses, “Chassez le naturel, il revient au galop” | “Expulsai a natureza, ela voltará à galope.” São Paulo apóstolo resumiu a força restabelecedora da verdade ao ensinar que “nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.” A verdade é a super-estrutura do super-ser da realidade. A mentira é uma inadequação artificial que não se encaixa perfeitamente e, por isto, como micro-engrenagem, dura até que o macro-maquinário lhe estoure. Mentir é ofender este organismo cujos anticorpos (os acontecimentos) logo tratarão de esmigalhar a folia e o folião, a fantasia e o fantasiado, a farsa e o farsante. Deus é o pai da verdade. O diabo, o da mentira. Deus criou tudo. O diabo, quer recriar o nada. A força que o cosmos ordenador exerce sobre o nada caótico é a mesma força que a verdade exerce sobre a mentira. Tudo isto para fazer voz uníssona com o caipira e berrar: mentira tem perna curta! Mas não é que ela tenha por si perna curta: é que, Procusto às avessas, vem a verdade e amputa a perna-de-pau até o limite sanguinolento do cotoco…

1694. A inconsistência interna via de regra procura solidez nas aparências externas. A falta interior sempre tenta se compensar no excesso exterior. Daí estes fenômenos de tatuagens intermináveis, corpos excessivamente malhados músculo a músculo, apego desmedido e ostentatório à marcas e grifes, etc. Falta imaterial dentro cria presença material fora. São fenômenos do ego, da auto-estima, em termos psicológicos. Espiritualmente, é idolatria. Essa moça que tatuou o Bolsonaro e os lemas de sua campanha pelo corpo está doente: precisa de divã e altar. Orem por ela ao invés de incentivá-la ou ridicularizá-la (ambas atitudes idiotas).

1695. Outro dia, tentando traduzir do hebraico um manuscrito cabalístico do século VIII, li isto: “Deus tem asas azuis, para que voe invisível no céu.” Agora à tarde, no supermercado, uma menininha de no máximo 6 anos disse pra mãe: “Deus deve pintar as asas de azul para não ser visto.” É por isto que digo: o gênio autêntico, cheio de beleza e realidade, se esconde justamente nos cérebros mais ingênuos.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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