Diário em Midgard — XIV

Dois ares se aproximam da ilha. Do Ocidente, o frio soprado; do Oriente, o calor inspirado. Duas massas que contrastam na temperatura, mas que sobre Penglai — este é o nome da ilha — concentram-se como brisa de alta primavera. Sinto, porém, as (poucas) diferenças nos extremos. De um lado, é mais deleitoso cochilar com um livro nas mãos. De outro, lançar-se às águas e correr feito menino na praia; de um, a reflexão confortável, sem suores; de outro, a ação que desacomoda e molha. Num lado o vinho está sempre frio no cálice; no outro o chá permanece mais tempo aquecido na xícara.

Leio racionalmente o Livro Prateado que me emprestou ontem o Regente de Hy-Brasil. Um ensinamento para amanhã: “A liberdade de um indivíduo na sociedade não deve estar subordinada a qualquer poder legislativo que não aquele estabelecido pelo consentimento na comunidade nem sob o domínio de qualquer vontade ou restrição de qualquer lei, a não ser aquele promulgado por tal legislativo conforme o crédito que lhe foi confiado.”

Leio idealmente o Pergaminho Dourado que me emprestou anteontem o Príncipe de Utopia. Um ensinamento para depois de amanhã: “Todos os homens são meus filhos. O que desejo para meus filhos, e desejo seu bem-estar e felicidade neste mundo e no vindouro, é o que desejo para todos os homens. Tu não entendes até que ponto este desejo, e se alguns de vós entendeis, não entendem a magnitude de meu desejo.” 

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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