Dante a Beatriz, no século XXI

Um dia serás velhinha e o mundo te será, finalmente, real.
Mas da realidade do mundo, Beatriz, tu terás apenas o cinza.
Bela tola, tu serás tão feia quanto a santa Mãe de Whistler,
Mas não terás o calor da lareira familiar, do pincel familiar
Que te arranjaria em verde e amarelo a uma futura geração.
Preferiste a vergonha dos pixels anônimos e do mundo fácil,
Escolheste o fugaz que fraciona tua alma como a carne moída
Da ração dos cães que ficam no meio do caminho da reação.
Quando fores velhinha recordarás dos meus poemas gentis
E chorarás pela vida que poderia ter sido e não foi jamais.
Um dia, um dia o mundo te cobrará minha lágrima nas tuas.

Autor: Dayher Giménez

28 de abril de 1989, A.D.: nasci. Desde então, penso. Pindoramense e granadino, paulista e andaluz, brasileiro e espanhol. Neto de imigrantes e exilados por três costados (espanhol, austríaco e italiano) e brasileiro da gema por um costado (a tríade miscigenária da Terra de Santa Cruz). Graduado primordialmente em História pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Catanduva e em outras “coisas” — a grande palavra medieval! — da universitas magistrorum et scholarium. Em religião, cristão reformado. Em política, conservador libertário. Em futebol, palmeirense. Eis os crivos básicos. Ouso escrever sobre aquilo que me chama a atenção.

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