Perfecto odio

“Je perdrais ma vengeance en la rendant si prompte.” ~ Jean Racine

Abrumados estandartes,
Bandeiras enevoadas pela areia,
Trevas de linho negro
Caligrafadas em prata,
Flâmulas de ódio unoteísta…
Ajoelha-te, cavaleiro paladino!
Ajoelha-te, templário palatino!
Sobre a alta cúpula do Sepulcro
O crescente dourado vos admira.
Nunca saberá o rei Saladino,
Califa e profeta do Islam,
Que o sangue nobre dos curdos
Será derramado por Osman.

A Queda de Bizâncio

O sopro da luz
Eterna caiu sobre nossos filhos…
A última gargalhada que foi senão
O grito estridente de Sybilla?
Ouvi, vós os cegos
Que se recordam da luz de Jerusalém,
Das velas altivas do tabernáculo infiel.
Vede, vós os surdos
Que intuíram o antigo hino triunfal
Pelo vibrar dos lábios secos do patriarca.
Está marcado o teu dia
Pelo piar da coruja simbólica:
O luar abandonando o céu,
A Virgem caindo pela alameda,
O granizo dizimando tua catedral:
O crescente e o pentagrama,
Tatuados pelo demiurgo no peito do Sultão,
Alçados outra vez ao firmamento,
Darão cabo da romana ilusão.